Formação

Cenáculo Filhos de Sião: “Vestir-se da nova humanidade!”

Somos a família Sião, o dom de Deus, a primavera da Igreja… Bendito seja Deus!

Segundo o Art. 45 dos nossos Estatutos, podemos dizer que:

O Filho de Sião só pode o ser se assim devorar a palavra de Deus. Ela é alimento seguro! Se estiver morrendo, a lâmpada apagando, o ânimo desfalecendo, é porque não tem se alimentado do verdadeiro alimento. O alimento seguro do Filho de Sião é a Palavra de Deus.

Caso você chegue a desfalecer, repita: Por minha culpa, minha tão grande culpa, pois não me alimentei. Faz-se necessário, então, dedicar-se diariamente à Palavra de Deus. Ao nos dedicarmos, tornamo-nos íntimos dela.

A Palavra de Deus é fundamento da fé e da vocação do Filho de Sião.

Irmãos, não podemos receber a Palavra de Deus de forma distraída. Acolher como bom ouvinte, no coração, é fundamento da nossa fé e vocação. A nossa fé só vai se enraizar se nós nos apoderarmos da Palavra de Senhor.

A nossa vocação só será vivida de verdade e com ousadia se nós nos apropriarmos da Palavra de Deus. A proximidade com a Palavra nos configura a Cristo, por isso, a Comunidade diariamente precisa viver esta intimidade.

Dessa forma, a Igreja sabiamente nos convida a viver o Mês da Bíblia e incentiva o seu rebanho a viver a Palavra de Deus. Neste ano com o tema “Vestir-se da nova humanidade! (cf. Ef 4,24)”.

Somos convidados pela Igreja a estudar a Carta de São Paulo aos Efésios. Nós somos estes homens novos que nos fala o livro e que devemos estar vestidos de santidade, de justiça e de verdade. Isso o autor apresenta aos batizados, no que consiste assumir a vida nova. Quem assumiu a vida nova, vestiu-se de santidade, de justiça e de verdade. Para o autor, isso deve ocorrer após a adesão a Jesus Cristo pelo batismo.

A carta aos Efésios trata da Igreja. Ela faz sintonia com o que estamos vivendo e vamos continuar a viver: o Sínodo convocado pelo Papa Francisco. No entanto, o batismo tem muita ênfase nesta carta, um aspecto fundamental da iniciação a vida cristã. Ao nos batizarmos, tornamo-nos cristãos, seguidores de Cristo e tudo na nossa vida acontece a partir do nosso batismo.

Esta carta é um livro do Novo Testamento e pertence à tradução paulina, ou seja, ligado a São Paulo. Sendo, portanto, uma carta deuteropaulina. Provavelmente escrita nos anos 80 a.C. Uma carta escrita para os batizados e para os fiéis em Jesus Cristo.

A Carta é estruturada em seis capítulos, que estão sub-divididos em dois blocos. O primeiro com conteúdo teológico, sobressaem os aspectos cristológicos e eclesiológicos. Sendo a Igreja o corpo de Cristo e Cristo a cabeça. A segunda parte traz um conteúdo exortativo, de como devem se comportar os batizados seguidores de Cristo e dirige-se à Comunidade formada por pessoas batizadas, oriundas da religião judaica e da cultura gentílica.

O autor junta Judeu e Gentis e diz que são um só corpo e que esse corpo tem uma cabeça que é Cristo, exortando-o a manterem a unidade na diversidade. Apesar da raça, língua e jeito de viver. Cristo é quem os une!

Além disso, o autor exorta a agirem eticamente tendo em Cristo o princípio normativo. Em outras palavras, a comportarem-se como filhos da luz e serem imitadores de Cristo.
“Vivam de acordo com a vocação que foram chamados, vivam de acordo com Cristo.Vivam com paciência, suportando-vos uns aos outros no amor.”

A convivência é coisa difícil, somos diversos. Porém, o convite é que nos suportemos uns aos outros no amor. O Espírito Santo já sabe que é difícil, tem ideia de todo jeito, pensamentos e ações, mas o amor tudo suporta.

“Aplicai-vos a guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz, que entre nós reine a paz, a concórdia, que vença o Espírito! Foi para isso que Ele nos foi dado! Um só corpo e um só espírito! Do mesmo modo que a vossa vocação vos chamou a uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo e um só Deus e pai de todos que reina sobre todos, age e permanece no meio de todos.”

A cada um de nós a graça foi dada segundo a medida do dom de Cristo. Não é esforço nosso, mas a graça nos foi dada para que possamos viver como seguidores de Cristo segundo a vocação a qual fomos chamados. Para que possamos suportar uns aos outros no amor e não na falsidade. É no amor de Deus que rompe toda falsidade e toda mentira!

Devemos viver como filhos da luz. Acima de tudo, que nosso comportamento nos leve à vivermos como imitadores de Cristo, deixando-nos guiar pelo Espírito. Nossa carne tem muitas vontades contrárias às do Espirito. Somos, desse modo, convidados a viver pela ação do Espírito em nós.

A carta nos convida a uma preparação para um combate espiritual. Um combate que vamos travar contra todas as potências do mal, contra o antirreino. Tudo que se opõe a Cristo se opõe a nós, são antirreinos para nós e devemos combater.

Estamos aqui para lutar contra as coisas que nos colocam contra o reino de Deus. A densidade da carta destaca-se pois em toda ela vamos ver Deus, Cristo, o Espírito Santo e, de forma especial, a Igreja. Deus é o Criador de todas as coisas e seu filho Jesus Cristo reina sobre as esferas terrestres e celestes. Nesta visão, o autor desenvolve uma cristologia do Senhorio de Jesus Cristo. Quem ler se apropria do Senhorio de Jesus.

Cristo transformou tudo que era sinal de morte em vida!

A cruz em Efésios é compreendida como um ato de reconciliação entre Judeus e Gentis, constituindo um só corpo, a Igreja. O termo “mistério” aparece em diversas vezes para designar o segredo de Deus preestabelecido antes da criação e revelado à humidade por iniciativa divina, por meio de Jesus Cristo.

O mistério de Deus é Jesus presente para nós, é a vida eterna, a reconciliação com o Pai. O mistério é revelado a toda humanidade de forma que une Judeus e Gentis. Une a todos! Juntos formam o corpo de Cristo que se torna a Igreja.

O tema central da carta é a Igreja, ela é entendida como um ser em Cristo. Existe por causa de Cristo, por isso ela tem uma visão universal. Ela abraça a todos, basta querer! Não consiste na soma das comunidades cristãs do mundo, mas no fato de ter como fundamento Cristo, por isso universal. Cristo é de todos!

A Igreja se torna mediadora entre o mundo terrestre e o celeste. Ela tem sua missão: conduzir-nos à eternidade. É preciso ouvir a voz dos nossos pastores, obedecer, nos deixar formar e conduzir. Ela é mediadora entre este mundo e o céu que nos aguarda. Deste modo, tem função baseada nos profetas e apóstolos, espaço no qual a salvação é oferecida ao mundo.

Bendita seja nossa Igreja, fundada por Jesus Cristo!

No entanto, a Carta aos Efésios defende a cristologia em relação à Igreja. Cristo uniu o que outrora era desunido, indiferente e fez um corpo, a Igreja, que tem como fundamentos os apóstolos e os profetas. Esta é a nossa Igreja!

Cristo é a pedra angular, fundamental da Igreja. A base de toda a Igreja! Ela existe por causa de Cristo.

 

Vander Lúcia Menezes Farias
Fundadora, Consagrada na Comunidade de Vida com Promessas definitivas

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