Formação

Comunhão de bens: preciosa via para avançar na Santidade

Nunca podemos esquecer a gratidão para com Deus.

A primeira pergunta que devemos nos fazer é: Tudo o que eu tenho vem de Deus? Você crê nisso? Se não for essa a razão que nos move, passaremos a vida toda acreditando que nossa comunhão de bens se resume apenas em dinheiro.

Comunhão de bens não é partilhar nossos bens materiais somente, é muito mais que isso, é partilhar nossos dons e nossa vida. É colocar-se a disposição.

O distintivo pelo qual os apóstolos eram conhecidos, era o amor que eles tinham um pelos outros (João 13,35).

Tenho certeza que nenhum daqueles que ofertaram a própria vida tinham a intenção de guardá-la ou retê-la para si mesmo. Quem oferta a própria vida a Deus na vocação Filhos de Sião, tenho certeza, que teve ou tem a reta intenção de gastá-la, de consumi-la…

Então porque depois que fazemos uma experiência com o amor de Deus, e ofertamos nossa vida no altar do Senhor, logo a retomamos para si mesmos?

Olha como é fácil cometermos o mesmo erro dos fariseus, que era a hipocrisia!! Acabamos fazendo a mesma coisa, cometendo o mesmo pecado. Depois que conhecemos a verdade, passamos a ensinar a verdade, pregar a verdade, mas não a colocamos em prática!

Sabe por que isso acontece? Porque acabamos deixando de depender Dele e acabamos não estando mais dispostos a abandonarmo-nos à Sua vontade.

Parece que tudo muda…aí você se justifica dizendo assim: “quando conheci a Deus eu era solteiro”, ou “ quando entrei na comunidade eu não trabalhava”… sua vida mudou, mas o Senhor permanece o mesmo, Ele não muda! E nós vamos continuar mudando, mas o amor de Deus e Seu chamado são imutáveis!!

Mas para entendermos o que é a comunhão de bens na comunidade, precisamos distinguir que ela se dá de duas maneiras: em nível material e espiritual.

Partilhar nossos bens materiais deveria ser bem mais fácil. Já que a partilha material é mais prática e visível, enquanto a partilha espiritual que é mais essencial e pouco visível é bem mais exigente.

Sinceramente não entendo como somos capazes de partilhar nossos bens espirituais com a comunidade e retemos nossos bens materiais… ambas são necessárias e complementares, não tem coerência fazer uma e rejeitar a outra e vice-versa. Como sou capaz de longos e místicos momentos de oração e sou incapaz de entender que a comunidade tem necessidades materiais, e eu que sou tão íntimo de Deus, tão convertido e espiritualizado, não consigo associar uma coisa com a outra…?

Já dizia Santa Teresa de Calcutá: “no final das contas é tudo entre você e Deus! Nunca foi entre você e os outros”. E em outra ocasião também disse: “quanto menos eu tiver, melhor”.

Nem tudo diz respeito a dinheiro…

Nessa breve partilha, queria enfatizar nossa partilha de bens com a comunidade de vida e nossa koinonia, que corresponde aos 5% que devolvemos a comunidade de tudo o que recebemos fruto do nosso trabalho, porque sei da necessidade que a comunidade Filhos de Sião tem da nossa fidelidade mês a mês. E também porque nos falta ainda o amor para com essa obra que só nos faz tão bem.

Para isso gostaria que cada Filho de Sião tomasse agora seus Estatutos, lesse como é feita a comunhão de bens da comunidade de vida (Cap. 17, pagina 42, parágrafo 138) e aliança (Cap. 18, página 48, parágrafo 161), e perceba que nem tudo se resume em dar dinheiro…. Depois reze com isso e peça a Jesus o dom de amar a sua vocação e de se ofertar nela!!

Sabe o que mais precisamos agora? Encarnar tudo aquilo que ouvimos e fazer como Jesus, que viveu na carne a vontade do Pai. Permita que a vontade de Deus por meio dessa vocação a qual fomos chamados, tome forma, ganhe corpo, seja forte e visível na carne, como fez Cristo ao se encarnar.

Nossa comunhão de bens é capaz de nos fazer avançar sim na santidade, porque nos faz crescer cada vez mais na vivência dos conselhos evangélicos. Com nossa fidelidade nos tornamos obedientes, já que a comunhão é uma ação estatutária, um mandato encontrado em nossos estatutos; também vivemos por meio dela a castidade, pois nos permitimos o domínio de si mesmos para sermos capazes de nos doar aos outros (EFS 77); e por fim com a santa pobreza que nos ensina a fugir da mentalidade consumista desse mundo, que ensina que só seremos felizes se possuirmos muitos bens, nos tornando escravos (EFS 74).

E não esqueçamos nunca, que tudo o que temos e somos pertence a Deus. Somos apenas administradores dos bens, que não são nossos, são de Deus.

Só devolve a Deus quem é grato. Quanto mais oferto, mais grato sou. Quanto mais retenho, mais ingrato me revelo.

Deus em sua infinita bondade nos dê um coração cheio de gratidão e livre de todo pecado da idolatria. Pois já dizia São Paulo que, o dinheiro é a raiz de todos os males (I Tim. 6,10).

 

Julineide Mendes Teófilo
Consagrada na Comunidade de Aliança Filhos de Sião

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