Formação

Coração de pedra e coração de carne

Conduzidos pela passagem de Ezequiel 36, 22-28

O coração ideal é aquele coração sensível à graça e ao projeto de Deus em nós. O coração de carne é o idealizado por Deus, embora propriamente não seja a carne em si, e sim, no sentido de ser obediente à graça de Deus e estar aberto para ouvir a voz de Deus. Aquele que escuta a voz de Deus tem um coração sensível.

O coração é o centro da alma, onde reina as decisões, onde mora a bondade, é o interior da nossa alma, sendo assim, é um local onde nós precisamos ter zelo, cuidado, carinho, como vai nos ensinar Santa Tereza D’Ávila: “É preciso ter uma decisão decidida”.

É você estar intimamente com os ouvidos abertos para Deus e ouvir aquilo que Deus tem para as nossas vidas como projeto de salvação. O contrário disso é o coração endurecido, um coração rígido, que não permite o acesso de Deus.

Aquele que não escuta é fechado, portanto, tem um coração insensível à graça de Deus. Santa Tereza D’Ávila foi uma mulher intimamente flechada, teve seu coração cauterizado, que quer dizer queimado. Experimentou um fenômeno raro na natureza humana, chamado de transverberação, que é dado por uma graça divina. Ela sofreu algumas conturbações em sua vida, teve uma grave doença, levando-a a morar nos mosteiros durante o período da doença. Mas, ao ser curada, ela passou a descuidar da sua vida de oração e se afastou. E só depois, com o falecimento de seu pai, ela retoma sua vida de oração e confessava não saber ter uma vida de oração.

Então, ela chegava diante do Santíssimo Sacramento e perguntava como ela fazia para ter uma vida de oração. Certo dia, ouviu de Deus: “Reproduz dentro do teu coração a imagem de Cristo.” Posteriormente, ela veio a sofrer uma grande dor na sua alma, tão grande, que corporalmente tornava-se suave. Com isso, ela disse para o bispo do mosteiro que tinha um anjo com um dardo de fogo, que penetrou no seu coração.

Estamos em uma sociedade que vive com os ouvidos fechados à sensibilidade de Deus e somente a vida de oração é capaz de transformar o nosso coração. São Filipe Néri vai nos dizer: “Cuida do teu coração, enquanto vivo, porque pode ser tarde, pois logo vem a morte.”

O estigma da transverberação de Santa Tereza D’Ávila foi constatado após dez anos de sua morte, quando o bispo pediu para fazer a exumação de seu corpo e viu que estava incorrupto. Vieram cientistas a pedido do bispo para estudar seu corpo e, ao ver o coração dela, perceberam que seu coração teria sido cauterizado. Foi, então, que o bispo teve a sensatez de lembrar que ela teve um coração sensível à graça e à obediência a Deus.

Com isso, entendemos a profundidade da graça de Deus e a importância de não tardarmos em buscar a conversão. Isso nos faz entender que somos homens de carne e osso e, por isso, necessitados da graça de Deus. Ninguém chega à santidade pelo seu próprio esforço. É preciso ter uma decisão, seguirmos firmes em oração, diante das dificuldades que enfrentamos e termos esse coração inclinado à obediência e à voz de Deus.

 

Paulo de Tarso Silveira Filho
Consagrado na Comunidade de Aliança Filhos de Sião

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