Formação

Família: Eu Sou o Deus convosco, o Deus para vós

Congresso das Famílias 2023

Como Moisés ouviu a voz de Deus no episódio da sarça ardente em Êxodo 2, 25, o Senhor diz para as famílias ouvirem neste dia: Eu sou para vós!

Toda família é fruto de uma história. Algumas histórias mais suaves, ainda que sem ausência de luta… Outras vêm de uma trajetória que houveram muitas dores, e até desastres. Hoje contemplamos vários matrimônios que sofrem realidades as quais os conduzem a concluir que “não deu certo”, separando-se.

Ora, Deus não é previsível! Espiritualmente, não é normal passar por tantas infelicidades sucessivas: doenças, acidentes, discórdias… Embora esteja sendo muito comum, no âmbito espiritual, isso não é normal.

A história de Moisés

Na época do nascimento de Moisés foi dado um veredito, para que não houvesse uma rebelião dos israelitas escravizados do Egito, mandaram que todas as crianças do sexo masculino fossem mortas. A fim de preservá-lo e protegê-lo, conforme as suas condições, a mãe de Moisés o escondeu. Mas num ato de desespero, e também corajoso, decidiu por o menino num cesto e o colocá-lo no rio, provavelmente para não vê-lo morrer, ou na santa esperança de alguém salvá-lo.

Antes de aprender a viver, as famílias precisam aprender sobreviver! Assim como fez aquela mãe. Porém, o Senhor mantém os seus eleitos: profeta não morre antes do tempo!

E Moisés tinha essa missão profética. Então, a filha do faraó providencialmente encontra o cesto. Nessa história, podemos perceber como Deus acompanha a nossa trajetória, tal como acompanhou Moisés. Naquele cesto, para a surpresa da mulher, havia uma criança, e ela – sensibilizada – toma-a para cuidar.

Não tendo como alimentar a criança, manda procurar uma mulher que o possa amamentar. Conforme a fidelidade de Deus, o menino Moisés acaba sendo alimentado pela sua própria mãe. O Senhor permitiu que ela se despedisse do filho no cesto, e ao ser encontrado, a mãe adotiva o reconduz à mãe biológica…

Na verdade, o Senhor quis que a mãe de Moisés se despedisse não dele, mas do medo de perdê-lo. Como diz São João: “O amor lança fora todo o temor” (cf. 1 Jo 4, 18).

Não tenhais medo

O medo não é próprio de quem conhece a Deus. Já anunciava Nossa Senhora em Medjugorge: “quem reza não tem medo do futuro”.

Isto não significa que nós não tenhamos medo de ficarmos desempregados, de ter doenças graves, por exemplo… Mas a confiança no Senhor deve superar todas as coisas. É Deus quem nos dá a permissão de confiar! Não é possível viver sob o medo. É o Senhor quem diz e faz, então, não há o que temer!

Por isso, pais, não é preciso ter medo de perder seus filhos, pois o mais Deus fará!

Talvez, se Moisés soubesse antes que havia sido essa a sua história da sua infância, ele se lamentaria pela “inconsequência” da sua mãe biológica. Mas saibamos que não há transformação familiar para a família que se mantém no vitimismo, na lamentação.

Não é possível evoluir, crescer espiritualmente olhando para trás. O retrovisor é apenas para você se basear, mas o para-brisa é maior, a fim de te dar uma visão melhor, para frente!

Como disse o profeta, se de ti tua mãe te esquecer, Deus não te esquece! (cf. Is 49 15).

Sua família é caminho de santidade

No Monte Oreb, Moisés presencia uma ação sobrenatural: uma sarça que ardia, mas não se consumia. Daquele fogo vinha uma voz… Ninguém quer o fogo, mas o que ele é capaz de proporcionar. E o que isso quer dizer? Deus usa sua família para a sua santificação. Não tire o “time de campo” quando tudo estiver “pegando fogo”! O céu não é o lugar de quem tem medo do inferno, mas daqueles que foram movidos pela convicção da santidade, do amor pelo Senhor.

Sobre isso, Santa Teresinha nos dá uma lição: “Quando eu chegar no céu, mandarei uma chuva de rosas sobre a terra!”. Ela teve convicção que estaria no céu!

Por essa razão, é covardia tirar o time de campo antes do fim do jogo. É preciso estar disposto para salvar a sua família! Apesar do cansaço, dos desgastes, das discussões, do estresse… Você não tem substituto! Quem mais o Senhor chamaria?

Aprendemos com Santa Teresa D’Ávila que “muito custa aquilo que muito vale”. De fato, não é fácil mesmo, é necessário peleja! Mas a santidade é um processo, um caminho. O Senhor pode e vai tirar um bem PERMANENTE de uma desgraça.

Portanto, não desista da sua casa! Mesmo que seja difícil, com dias nublados. Da mesma maneira que Moisés ouviu, você também pode ouvir a voz de Deus!

 

Evandro Nunes
Diocese de Santo Amaro – SP
Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Santa Rosália

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