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Primeira Semana: Entrar no deserto – Retiro Quaresmal 2026

Entrar no Deserto

Iniciamos o caminho quaresmal, caminho de quarenta dias para a Páscoa, para o coração do ano litúrgico e da fé. É um caminho que segue aquele de Jesus, que, no início do seu ministério, se retirou por quarenta dias para rezar e jejuar, sendo tentado pelo diabo no deserto.

O que significa espiritualmente o deserto para todos nós, também para nós que vivemos na cidade? O que significa o deserto?

Visualizemos um deserto. O que vem primeiro é um grande silêncio: nenhum barulho, apenas o vento e a nossa respiração. Vejamos o deserto como um lugar de distanciamento das confusões que nos rodeiam. É o momento em que as palavras cessam e damos espaço a uma outra Palavra, a Palavra de Deus, que nos consola e acalma o coração. O deserto é o lugar da Palavra. No deserto, o que prevalece é a escuta da Palavra de Deus, a voz de Deus que ecoa dentro de nós. O Livro dos Reis diz que a Palavra de Deus é como um fio de silêncio sonoro. No deserto, reencontra-se a intimidade com Deus. Era prática de Jesus retirar-se todos os dias para lugares desertos, a fim de falar e ouvir o Pai.

O deserto é o tempo propício para dar espaço à Palavra de Deus. Deixemos a Palavra de Deus diária conduzir nossa vida. Encontremos espaços, em meio às nossas atividades, para ouvirmos o Senhor na sua Palavra.

É no deserto o tempo propício para renunciar às palavras fúteis, às fofocas, e falar de quem somos para o Senhor. É o tempo favorável para fazermos uma grande faxina no nosso coração.

Estamos acostumados a um ambiente poluído por muita violência nas palavras, por tantas palavras ofensivas. Hoje se ofende como se se dissesse: “tudo bem”. Estamos sufocados por palavras vazias. Corremos o risco de nos acostumarmos com a ideia mundana de viver e encolher nosso coração. Não sabemos mais diferenciar a voz do Senhor, que fala ao nosso coração.

O deserto é o lugar de percebermos que o que importa é o essencial. Paremos um pouco e pensemos: quantas coisas que não têm valor estão nos sufocando? Durante toda essa semana, pare e escreva as coisas que já começaram a fazer parte da sua vida e que você percebe que não têm mais valor, coisas que não acrescentam em nada à nossa comunhão com Deus e com os irmãos. São coisas que nos fazem perder o plano salvífico de Deus para nós.

Quanto nos faria bem, durante essa semana, libertarmo-nos de tantas realidades supérfluas para redescobrir aquilo que conta, para reencontrar as faces de quem está próximo a nós! Quem você não consegue mais ver e que está tão perto de você? Quem você já eliminou da sua frente porque este já lhe feriu, e a lógica mundana é deixar perto de si somente aqueles que você fabrica com o modelo de perfeição que julga ser o melhor?

Quem nos conduz é o Espírito Santo. Que, nesse tempo de graça, tenhamos a coragem de também enxergar as pessoas que vivem sozinhas e, por que não dizer, à margem. Que seja um tempo ideal para irmos ao encontro e fazermos um grande exercício de obra de misericórdia. Não tenha receio de partilhar o bem que o Senhor tem ajudado você a fazer ao irmão que necessita.

 

Francisco Adriano Silva
Cofundador e Formador Geral da Comunidade Filhos de Sião

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