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Quaresma 2025 – Conduzidos pelo Espírito Santo ao Deserto: “Por que Jesus foi para o deserto?”

Quarta Semana: “Por que Jesus foi para o deserto?”

Tentei destacar os ensinamentos e exemplos que nos chegam de Jesus para este tempo da Quaresma, mas preciso dizer que, até agora, não falei do mais importante de todos. Por que Jesus, depois do seu batismo, foi para o deserto?

Foi para ser tentado por Satanás? Não. Ninguém busca a tentação de propósito, e o próprio Jesus nos ensinou a rezar para não sermos levados a ela. As tentações foram uma iniciativa do demônio, permitidas pelo Pai para a glória do Filho e como ensinamento para nós.

Foi para jejuar? Também, mas esse não foi o motivo principal. Jesus foi ao deserto para orar! Sempre que Ele se retirava para lugares desertos, era para estar em comunhão com o Pai. No deserto, Ele se sintonizou, como homem, com a vontade divina, aprofundou a missão que o Pai lhe havia revelado no batismo: a missão do Servo obediente, chamado a redimir o mundo pelo sofrimento e pela humilhação.

Em essência, Jesus foi ao deserto para estar em intimidade com o Pai. E esse deve ser também o nosso objetivo na Quaresma. Ele se retirou pelo mesmo motivo que, segundo Lucas, o levou ao Monte Tabor mais tarde: para orar (Lc 9,28).

Não se vai ao deserto apenas para deixar algo para trás – o barulho, o mundo, as ocupações. Vai-se principalmente para encontrar alguém. O deserto não é um lugar de isolamento vazio, mas um espaço de encontro com Deus. Não se trata de uma busca meramente introspectiva, como em tantas formas de meditação não cristã. Estar sozinho consigo mesmo pode, muitas vezes, significar estar com a pior companhia. O crente vai ao deserto para descer ao próprio coração e renovar seu contato com Deus, pois sabe que “no homem interior habita a Verdade”.

O que mais deseja um apaixonado senão estar a sós, em intimidade, com a pessoa amada? Deus é apaixonado por nós e deseja que nos apaixonemos por Ele. Falando do seu povo como de uma esposa, Deus disse: “Eu a conduzirei ao deserto e falarei ao seu coração” (Os 2,16).

Quando alguém está enamorado, todas as coisas e todas as outras pessoas ficam em segundo plano. Uma presença preenche tudo e faz o resto se tornar secundário. Isso, porém, não nos isola dos outros. Pelo contrário, nos torna ainda mais atentos e disponíveis para eles – não por obrigação, mas como um transbordamento do amor que recebemos.

Jesus está esperando por nós no deserto. Não o deixemos sozinho neste tempo.

Irmãos, como é bom estar perto de quem nos ama! Estamos perto de Jesus. Ele nos espera no nosso coração. Como tem sido o trabalho do Espírito Santo em conduzir você neste deserto?

O deserto nos faz encontrar tanto belezas quanto coisas que nos assustam. O que você veio buscar no deserto nesta Quaresma?

• Já chegando à quarta semana, será que você realmente entrou no deserto do seu coração?
• Está aqui apenas para discernir algo sobre sua vida?
• Está apenas pedindo algo a Deus?
• O que você tem feito neste tempo favorável de conversão?

Lembre-se: Jesus foi ao deserto para sintonizar-se com a vontade do Pai. Ele desejava permanecer unido ao Pai!

Seus propósitos, penitências e sacrifícios têm ajudado você a entrar em sintonia com a vontade divina? Olhemos para a obra redentora que o Senhor realiza em nós neste tempo. É Ele quem faz. Ele quer nos tornar íntimos Dele.

 

Bibliografia:
Angelus do Papa Francisco (2021);
Pregação do Frei Raniero Cantalamessa (2014);
Raniero Cantalamessa – Nós pregamos Cristo Crucificado.

 

Francisco Adriano Silva
Cofundador e Formador Geral da Comunidade Filhos de Sião

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