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Quinta-feira Santa: Ele nos amou ao extremo

Afinal, o que representa a Semana Santa?

Sendo a Semana Maior da Igreja, a Semana Santa é o centro da liturgia católica, a “liturgia maior”: o ministério da Paixão e Morte de Cristo por nós. Ele se apaixonou por nós! E o que temos para que Deus se apaixone por nós?

Em preparação para o Tríduo Pascal

Até chegar ao Tríduo Pascal, a Semana Santa volta nosso olhar para os fatos que culminam na entrega de Cristo e suas consequências. A começar pelo Domingo de Ramos, no qual Jesus entra simples em Jerusalém num jumentinho – uma simplicidade que encanta nossos olhos. A multidão O acolhe: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” (cf. Mt 21, 9).

Na Segunda-feira Santa, Jesus visita seus amigos em Betânia, onde Maria – irmã de Marta e Lázaro – lava os Seus pés, e, em seguida, perfuma-o com nardo puro e caro. Aí então, Judas – sendo ganancioso – aparece com uma crítica à ação apaixonada de Maria.

Já na Terça-feira Santa, temos a profecia de Jesus, que fala da traição de um dos Seus, comunica a Pedro que ele O negará três vezes, mesmo perante sua declaração de que daria a vida por Cristo (cf. Jo 13, 37)… E, no entanto, Deus conhece Pedro e o perdoa. Ele conhece todas as coisas, isso é a grandeza do amor de Deus. Enfim, na Quarta-Feira Santa é concretizada a traição de Judas Iscariotes, entregando o Mestre (cf. Mt 26, 25) por apenas trinta moedas de prata (cf. Mt 26, 15).

O Tríduo Pascal revela o amor de Jesus pelos Seus

Meditemos a partir do Evangelho de São João 13, 1-15, cujo o qual é proclamado na Quinta-Feira Santa. Com que grande amor Jesus amou os seus (cf. Jo 13, 1)! E quem são os seus? Somos todos nós – não somente os discípulos e os demais que estavam com Ele –, que fomos salvos e “comprados” a preço de sangue. Por isso podemos afirmar que somos d’Ele! Pertencer ao Senhor é a alegria das nossas vidas. Somos d’Ele e para Ele. Apresento aqui meu testemunho pessoal: “fazer a vontade de Deus me deixa feliz, como dizia Santa Teresinha, esquecer de mim mesma me faz feliz”.

Por esse motivo, nossas almas têm sede desse amor divino, que só Ele nos dá. Ficamos verdadeiramente felizes porquê fomos criados para Ele, a vida faz sentido quando direcionamos tudo para Ele.

E vejamos que o Senhor nos amou não porque somos amáveis – pois realmente nós não o somos! –, e o Seu olhar não para no pecado e na inconstância que há em nós. Pelo contrário, Ele só quer nos amar! A intenção de Deus quando nos criou foi para amar!

A Santa Ceia do amor

Na Santa Ceia, o Senhor nos coloca à mesa, e, apesar desse amor de intimidade, nós – sempre que podemos – negligenciamos a nossa vida de oração. Fazemos qualquer coisa, exceto nossa oração. Ora, vamos fazer uma ‘comparação’ entre o valor que Ele nos dá e o que nós damos a Ele. Ao passo que Cristo nos trata com primazia, como o primeiro, nós precisamos correspondê-lO, tratando-O do mesmo modo.

Jesus não nos ama até o fim do dia, da ceia, da Paixão, da morte… Ele nos ama até o fim – não em sentido de finalização, mas de completude, até o extremo. Isso se concretiza na Eucaristia e na crucificação. É o amor de entrega.

Sabendo Jesus que era a última ceia, Ele poderia ter feito uma meditação, ou uma oração… Porém, Ele fez algo maior ainda, levantando-Se da mesa, foi lavar os pés dos discípulos (cf. Jo 13, 4). Como Deus é simples!

Jesus comprova Seu amor no serviço

Naquela época, era a pessoa mais inferior lavava os pés dos demais, Jesus livremente se decidiu por isso. Ele os serviu, e o amor se dá por gestos, é assim que se prova.

São Lucas vai nos dizer que no momento em que Pedro negou jesus pela terceira vez, Ele olhou fixamente para Pedro. Não com olhar de reprovação.

Ele nos deixou o testemunho para nos assemelharmos a Ele através do serviço, da doação. Nós temos a oportunidade de ir até Ele não por mérito, mas pelo seu amor, que não se explica, se vive!

Além disso, não somente lavou os pés, mas apresentou uma prefiguração do seu sangue derramado… Quem ama sabe o que deve fazer! Cristo sempre esteve disposto a fazer algo pelos Seus, por causa da Sua intimidade com o Pai.

Voltemos a intimidade com Deus, voltemos a esse mistério de amor! Nossas vidas devem ser dedicadas ao outro, pois não há sentido numa vida egoísta. É preciso amar como Cristo, independente do amor irmão. A graça de amar vem do próprio Deus.

Hoje também Jesus chega ao Getsémani, onde inicia sua dor. É o momento de carregar sobre Si nossas culpas, que Lhe causou profunda dor. Ele não tinha pecado, mas o Pai permitiu que passasse por tudo isso… Um grande presente de amor de Deus por nós.

Celebremos Cristo conosco, afinal, literalmente, Ele está conosco. É físico, palpável e podemos tocar!

 

Alessandra Safira Capistrano
Discípula Maior I da Comunidade de Aliança Filhos de Sião

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