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Quinta Semana: Através do Deserto, Deus Guia-nos para a Liberdade – Retiro Quaresmal 2026

Através do Deserto, Deus Guia-nos para a Liberdade

Papa Francisco afirma que “Deus não se cansou de nós” e nos pede para acolhermos “a Quaresma como o tempo forte em que a sua Palavra nos é novamente dirigida”: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egito, da casa da servidão” (Ex 20,2).

A Quaresma é tempo de graça. Podemos olhar para o profeta Oseias e ver que ele anuncia o deserto como o lugar do primeiro amor (cf. Os 2,16-17). Deus ensina o seu povo a sair das suas escravidões e a experimentar a passagem da morte para a vida; como um esposo, atrai-nos novamente para perto de si.

O êxodo da escravidão para a liberdade é um caminho verdadeiro. Para que a nossa Quaresma aconteça de verdade, o primeiro passo é querer ver a nossa realidade. Quando o Senhor, da sarça ardente, atraiu Moisés e lhe falou, mostrou-se como um Deus que vê e escuta com atenção o seu povo: “Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor diante dos seus inspetores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar das mãos dos egípcios e de o fazer subir desta terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel” (Ex 3,7-8).

Podemos observar com atenção que é Deus quem vê, que tem compaixão e liberta; não é Israel que o pede. Nessa escravidão, podemos ver todas as coisas que são negadas ao povo. São-lhe tirados todos os direitos.

É um tempo de agir e também de parar: parar para acolher a Palavra de Deus e parar também na presença do irmão que sofre. O amor de Deus e o do próximo formam um único amor. Não cultuar outros deuses é permanecer na presença de Deus e junto da carne do próximo. Por isso, oração, esmola e jejum não são três exercícios independentes, mas um único movimento que nos leva ao esvaziamento: lancemos fora tudo o que nos torna pesados, fora os apegos que nos tornam prisioneiros. Então o coração frio e isolado despertará.

Assim, a dimensão contemplativa do carisma Filhos de Sião nos fará reencontrar e encontrar novas energias. Na presença de Deus, tornamo-nos irmãs e irmãos; em vez de cultivarmos inimizades, encontremos irmãos e irmãs de caminhada. Isso é o que agrada a Deus: a Terra Prometida para a qual tendemos, quando saímos da escravidão.

É assim que chegamos para, juntos, celebrarmos a vitória da vida sobre a morte, a vitória da liberdade sobre a escravidão. Seremos um só povo que Deus escolheu, uma resposta para este mundo que baniu Deus de sua vida. Celebramos a vida nova em meio a nós, a ressurreição de Cristo e a nossa também.

Uma feliz travessia.

 

Francisco Adriano Silva
Cofundador e Formador Geral da Comunidade Filhos de Sião

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