Dando continuidade ao itinerário que a nossa Igreja nos conduz durante este ano, é muito importante ficarmos atentos a um detalhe que não pode ser estranho para nós: a nossa vida de oração. Sem oração, nós não conseguiremos seguir Jesus e, ainda mais, não conseguiremos pregar, cantar, rezar pelas pessoas, pastorear o rebanho, interceder, apresentar Jesus pelas artes; ou seja, sem oração o meu serviço não dá fruto.
Ontem, fazendo a leitura dos nossos Regimentos, nós nos deparamos com uma frase que dizia: “Não podemos conceber um Filho de Sião que não reze!”. Nós podemos entender essa expressão como algo muito duro, autoritário ou pesado demais para nós. Porém, essa é a verdade. Eu estava meditando como nós nascemos e concluí que foi porque “alguém rezou em nós”. Assim sendo, tivemos uma experiência que gerou em nós algo que não esperávamos e que gerou essa resposta de amor a Deus.
Quem reza ama e quem ama reza
Se pegarmos o Cap. IV dos nossos Estatutos, no Art. 42, vamos ver que: “Na Comunidade Filhos de Sião, a oração é primazia (…)”. Não podemos entender isso como uma forma limitada, como sendo a primeira coisa que “fazemos” no nosso dia, mas como algo que nos inclui numa vida de oração e de comunhão com Deus. E essa vida não é uma vida de momentos, mas uma vida em que eu permito Deus ser o primeiro na minha vida.
A vida de oração acontece, meus irmãos, quando a nossa vida está em comunhão com Deus. Quando, então, submetemos a nossa vida a Ele. É dizer para o Senhor como a Virgem de Sião disse: “Faça-se em mim…” Dessa forma, ela se pergunta: “Como a minha vida pode contribuir com o processo de salvação da humanidade?”.
Segundo o Catecismo da Igreja Católica: “A vida de oração consiste em estar habitualmente na presença de Deus e em comunhão com Ele”. Voltando para os nossos Estatutos, o Art. 42 vai dizer ainda para nós: “Saiba o membro que o segredo da oração é olhar para Deus, entrar na sua presença, abrir o coração, não ter medo de ser quem é diante do Senhor. Afinal, Jesus, durante toda a sua vida, retirava-se para orar.” Esse é o jeito próprio do Filho de Sião de rezar. Se você ainda não sabe rezar, volte o seu coração para este trecho dos nossos Estatutos.
E nós, com quem queremos parecer? A nossa vida precisa parecer com quem?
Conduzidos pelo Evangelho de São Lucas 11,21ss.
“Um dia, num certo lugar, estava Jesus a rezar. Terminando a oração, disse-lhe um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou aos seus discípulos…”
Os discípulos, então, pediam ao Mestre para ensinar-lhes aquilo que Ele estava fazendo. Percebamos aqui que eles queriam parecer com Jesus. E nós, com quem queremos parecer? / A nossa vida precisa parecer com quem? / O que a nossa fé faz falar?
Quero chamar-lhes a atenção ao que São Lucas deseja falar com essa passagem. Primeiro, São Lucas nos traz o Evangelho do Bom Samaritano, em seguida, o de Marta e Maria. Esses são contextos de oração. O Bom Samaritano é o próprio Jesus que desce para nos salvar. Essa descida é uma iniciativa divina, ou seja, é o amor de Deus que compadecido pelo ser humano na sua condição de pecado, tem a intenção de salvar a sua vida sofrida. Jesus manda levar aquele homem para a hospedaria. A hospedaria aqui é a Igreja e a Comunidade. E ainda mais, pede que se passar do valor, coloquem em sua conta. Que maravilha, irmãos: Nós estamos na conta de Deus!
Por conseguinte, no Evangelho de Marta e Maria, vemos que Marta preparou a casa para acolher a Palavra do Senhor. Marta se preparou para ouvir Jesus, mas quem esteve com Ele na escuta foi sua irmã Maria. Ou seja, a primeira coisa a se fazer é preparar-se para ouvir e o segundo passo é ouvir, isso é o que Marta e Maria nos ensinam. Oração é escuta. Por fim, entendemos que Maria nos ensina a dizer: “Pai-Nosso!”.
A oração é iniciativa de Deus
A oração é uma iniciativa de Deus. Porém, pensamos muitas vezes que é uma iniciativa humana, uma iniciativa nossa. Isso é uma heresia, meus irmãos. A iniciativa é dele e a resposta somos nós que damos. Porém, convém perguntar: “Como vamos responder a Deus? / O que vou mudar dentro de mim?”, porque se nos colocamos em oração, precisamos estar na disposição de mudarmos. Quem reza muda.
Encerro dizendo para nós que a melhor coisa da nossa caminhada não é medirmos as coisas. Não vamos fazer da nossa vida de oração com Deus uma balança. Seja generoso! Dê tudo hoje! Ame Jesus hoje!
Se amamos Jesus hoje, nós sabemos amar as coisas e as pessoas de forma ordenada.
Se amamos Jesus em primeiro, nossa vida estará em paz e feliz!
Francisco Adriano Silva
Cofundador da Comunidade Filhos de Sião