2ª Semana
A força sedutora das margens
O evangelho fala de movimento, de deslocamento em direção a outras perspectivas, de saída dos próprios espaços de proteção e segurança, para acolher outro tempo na vida interior, outras histórias, abrir-se ao novo, ao diferente. Então, o que significa, para cada um, a outra margem? Desde logo, não há resposta padrão; ela é muito pessoal, como é pessoal também a adesão à pessoa de Jesus. É um convite pessoal e comunitário, de relação amistosa e profunda, para encontrar n’Ele nossa segurança e continuar a vida com mais inspiração.
Jesus convida todos nós a cruzar o mar em direção à outra margem. Essa é a vontade de Jesus para nós durante esta semana: cruzar para a outra margem. Façamos isso impulsionados pelo Espírito Santo, que ora em nós e nos conduz. Deixemos que Ele atue nesta semana de oração e escuta.
Irmãos, estamos tão acostumados à nossa margem rotineira que não é fácil arriscar e fazer a travessia; nem sequer estamos convencidos de que exista outra margem, além das comodidades e seguranças que buscamos. No entanto, nossa meta está do outro lado do risco e do perigo. É para o outro lado que Jesus nos convida, de maneira pessoal e comunitária. A falta de confiança continua sendo a causa de nossa resistência; resistimos em acreditar que Ele vai conosco na própria barca. Achamos que caminhamos sozinhos, apoiados apenas em nossas forças, fidelidades, experiências e na nossa razão. A desconfiança quanto ao chamado de Jesus nos impede de querer ir a outra margem. Preferimos permanecer na margem do nosso individualismo a desbravar o mar do desconhecido e descobrir o que poderá surpreender nossa vida e fazer brilhar a luz nosso chamado.
“A nossa fé não é uma fé de laboratório, mas uma fé-caminho, uma fé-história. Deus se revelou como história, não como um compêndio de verdades abstratas… Não é preciso levar a fronteira à casa, mas viver em fronteira e ser audazes” (Papa Francisco). Entrar na barca com o Mestre significa “embarcar” na vida d’Ele, correndo riscos de sofrer rejeições, abalos e tempestades.
Para refletir:
- O que te deixa demasiadamente seguro e instável e te impede de entrar na barca com Jesus e passar para a outra margem?
- “Passar para a outra margem” nos evoca o chamado a assumir um deslocamento social e religioso que envolve risco e mudança. Quais riscos você precisa enfrentar para que sua vida mude? Está arriscando para seu próprio bem ou obedecendo ao convite de Jesus?
A “outra margem” é a novidade do presente, a descoberta incessante, a amplitude sem limites. Só poderemos começar a cruzá-la se estivermos dispostos a deixar nossos caminhos trilhados e nos entregarmos com docilidade à Vida que Jesus escolheu para nós.
É preciso sair da margem conhecida, “velha” e rotineira, para encontrar a nova margem: lugar de relação, questionamento, criatividade, encontro com o novo. É preciso coragem interior. Deixar que a proposta de Jesus não seja confundida com aquilo que queremos realizar apenas para nós. O convite de Jesus é para aqueles que desejam enfrentar o mar da vida confiando que Ele está dentro do barco. Não tenhamos medo de rezar. A oração é ouvir o Senhor e aprender a responder a Ele na vida diária.
Francisco Adriano Silva
Cofundador e Formador Geral da Comunidade Filhos de Sião