Formação

Retiro de Lideranças – A paixão pela evangelização: o zelo apostólico do crente

A evangelização é um tema urgente e decisivo para vida da Igreja – Papa Francisco

Para o Santo Padre a evangelização é urgente, é ponto de decisão para a vida da Igreja. É uma dimensão vital: nós queremos que a Comunidade viva durante muitos anos, por isso é necessário evangelizar

Missionários e apóstolos

A primeira comunidade a dos discípulos nasceu missionária e apostólica, portanto, todas as outras expressões comunitárias têm como base essa primeira – nasceram missionárias e apostólicas. Isto é, missionário é ser formado por Jesus, e apóstolo é ser enviado.

Não é proselitismo, não é pela força, não é pelo julgo: a Igreja atrai, chama, provoca… E a pessoa vem. Assim também é o nosso Carisma, ele inquieta, provoca, e é por atração que as pessoas chegam até nós.

Logo, ser missionário e apóstolo é diferente de proselitismo.

Desse modo, o Espírito Santo plasma a Igreja em saída: deixe Ele agir! Onde você estiver o Senhor te mostrará situações, temos que falar de Jesus onde quer que estejamos. O Espírito Santo plasma o testemunho contagiante e extrovertido em Jesus.

Dom divino

A fé contagia, irradia a sua luz até nos confins. O dom de Deus é destinado a alcançar o que nunca imaginamos, é Ele mesmo em nós. A fé que se estende até confins da terra: É Jesus em nós.

Mas cuidado! Pois pode acontecer que esse desejo se torne tíbio. Trata-se de quando o cristão perde de vista o horizonte da evangelização, do anúncio. Então adoece e se fecha em si mesmo, torna-se autorreferencial e atrofia-se.

A raiz, isto é, o início da tibieza ocorre quando paramos de evangelizar. Recordemos que a fé entra pelo ouvido (cf. Rm 10), o outro só vai saber da fé se ele ouvir. Por isso, “ai de mim se eu não evangelizar” (cf. I Cor 9, 16).

O maior presente que você pode dar a Deus é a vivência fiel da sua vocação!

Todo batizado é um evangelizador. Ao nos fecharmos em nós mesmos – no meu querer, no meu mundo, nas minhas coisas – a nossa referência já não é mais Jesus, e sim somente o próprio ‘eu’. Quem passa por isso perdeu o horizonte do anúncio e iniciou um projeto de atrofiamento. Sem o zelo apostólico a fé esmorece. E como deve ser triste viver sem fé e esmorecido…

A missão para o cristão

Na sequência de catequeses acerca do tema, diz o Papa que a missão é o oxigênio da vida cristã. Chega oxigênio em nossa vida quando estamos em missão! Que Deus não nos permita faltar o oxigênio, pois sem ele morremos.

É ele que tonifica e purifica, além do mais, ninguém volta triste de uma missão!

Sendo assim, nós precisamos empreendermos um caminho: a redescoberta da paixão evangelizadora.

Só evangeliza quem vive apaixonado por Jesus, pelo Evangelho e pelo irmão. Precisamos viver apaixonados e redescobrindo caminhos.

Caminhos para a redescoberta

  • Nessa caminhada de redescoberta, busque a Palavra de Deus com sinceridade – ao ler, todo mundo fica apaixonado por ela;
  • Procure o ensinamento da Igreja. Creia, ela é sábia – tem dois mil anos de experiência;
  • Ouça os testemunhos que reacenderam na Igreja a paixão pelo Evangelho. Dentre eles, leia a vida dos santos, com esse intuito de acender a paixão pela evangelização.

Esses são caminhos que o Espírito Santo vai reavivar o fogo em nós e da paixão evangelizadora. Também acrescento aqui  que participemos dos momentos fortes de oração na Comunidade. Deixemo-nos ser batizados pelo maior fogo que já existiu na face da terra: Espírito Santo.

O olhar de Cristo

Conduzidos por Mateus 9, 9-13.

Tudo começa com Jesus que vê. O Cristo viu um homem. Embora as pessoas vissem Mateus como ele era – cobrador de impostos infiel, um traidor do povo -, por ele tinham desprezo. Mas aos olhos de Jesus ele era um homem – com suas misérias e com suas grandezas.

A verdade é que Jesus não se detém nos adjetivos de Mateus, e sim, busca o substantivo, o ser. Vai à pessoa, ao coração e pensa: “esta é uma pessoa”. Entre Jesus e as pessoas não há distância, porquê não há adjetivos. Cada pessoa é amada por Deus, independentemente é amada.

Quanto mais adjetivos, mais doenças. E quanto mais doenças, mais precisamos de aproximação. Haja proximidade no nosso Carisma! Porque somos os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos (cf. Lc 14, 15-24).

Destinatário do amor

Perante o olhar de Jesus, diz o Papa, é possível ver o outro como o destinatário do amor. Isto é o princípio da paixão evangelizadora: olhar o outro com substantivo. Logo, tudo inicia a partir deste olhar que aprendemos com Jesus.

Faz-se necessário ver o homem – destinatário do amor – sem adjetivos e sem distância. Quantas vezes vemos os defeitos e não as necessidades. Só etiquetamos pelos que fazem, e não pelo que pensam. Essa visão que etiqueta, que vê defeito e exclui, não é o olhar de Jesus.

Olhemos para o outro com o olhar de Jesus, que é o olhar da misericórdia.

É misericórdia com predileção, não apenas um olhar! Enxergar como filho amado, querido e desejado. Somos chamados a olhar como Jesus, principalmente para os distantes. “Proximidade!”, é o que o Papa Francisco tem gritado.

Jesus diz que veio para os pecadores, não para os justos (cf. Mt 9, 12-13), e podemos dizer que o Carisma também veio para o mesmo. Ele se aproxima das nossas misérias e limites para nos curar. Somos aqueles que seguimos a paixão de Jesus evangelizadora, a fim de romper barreiras, vencer limites para curar.

Um movimento: levantar-se

Diante disso, a atitude de levantar-se é muito importante. Isso porque naquela cultura quem permanecia sentado eram as autoridades. Quando Mateus levanta, Jesus o separa do poder. Coloca-o em movimento rumo aos outros, agora não fica mais sentado para receber, mas vai até os outros.

Sendo assim, Jesus faz Mateus deixar uma posição de supremacia, para colocá-lo no mesmo nível dos irmãos, e abrir os horizontes do serviço.

Na ocasião, Mateus ofereceu um banquete e chamou todos os cobradores de impostos. Essa atitude revela que ele já se põe na condição de servir, querendo apresentar a todos o que provocou aquele encontro, a paixão por Jesus.

Por isso, não fique sentado! Levante-se por caridade, ponha-se a caminho com os outros a procurar os outros!

É anticristão dizer: “que venham, eu estou aqui; sabe onde moro; sabe meu contato, sabe o horário da reunião; por isso, que venham…” Não! Vamos nós procurá-los, demos o primeiro passo rumo aos irmãos. Vivamos o Evangelho!

Um olhar, um levantar-se e uma meta

Para onde foi Mateus após levantar-se? Para um jantar com Jesus e seus amigos. Regressa ao seu ambiente, mas agora não como um com eles, mas levando a luz; sendo um com Cristo. Portanto, o apostolado começa no ambiente natural.

Dessa forma, testemunhe todos os dias a beleza do Amor que olhou para você.

O perfeito amor que nos olha de forma diferente. Além disso, não somos nós que vamos convencer ninguém, mas é Jesus mesmo. Quem se aproximar sairá contagiado, pois o amor mora em nós, dentro de nós.

Assim, fale a partir do olhar que Jesus te olhou. Não foi à força, foi amor. Esta é a atração: comunicar o olhar de amor que nos olhou. A partir dele, somos convidados a vivermos como almas esposas desse amor.

Pense nisso: se o seu olhar se assemelhar ao de Jesus, atrairá as pessoas.

Não é fardo e nem status fazer a vontade de Deus… É o sentido de viver! Não por proselitismo, mas por atração.

Portanto, levante-se, vá a procura do destinatário do amor. Eles estão nos aguardando.

De coração contagiado, veja o substantivo, não perca tempo com os adjetivos. Existem vários destinatários à espera do amor.

Eu confio em você, vá até eles!

 

Vander Lúcia Menezes Farias
Fundadora, Consagrada na Comunidade de Vida com Promessas Definitivas

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