Formação

Retiro de Semana Santa 2024 – As Dores de Nossa Senhora (1ª, 2ª e 3ª Dor)

Como somos agraciados em viver esses dias de Semana Santa de maneira diferente. Não deixemos que se perca o mistério que se inicia hoje e vai até a Ressureição de Nosso Senhor.

Neste ano especial para a Comunidade, nós estamos vivendo de maneira mais próxima e sob a proteção de Nossa Mãe. Por essa razão, meditaremos sobre a devoção das Sete dores da Virgem Maria, a fim de adentrar ainda mais na profundidade e no mistério que é o Tríduo Pascal, sob a ótica da Mãe de Deus.

Aqui meditaremos as três primeiras dores, conduzidos pelo Evangelho de São Lucas 2, 22-25.

1ª Dor – A apresentação de Jesus no templo

Naquele tempo, Simeão já sabia que aquele menino se tratava de Jesus, o Senhor. Em seguida, o profeta já disse a Nossa Senhora da dor que ela viveria – ele era repleto do Espírito Santo. Assim, Deus precisou revelar através do Espírito o que Maria iria padecer. Todos aqueles dias até o dia da apresentação foram dias intensos de alegria para Nossa Senhora – ela estava exultante… Então, vem Simeão revelar esta notícia. E ela pôs-se a meditar sobre tal revelação.

Todavia, Maria não parou na revelação de Simeão, já percebendo que muitas coisas viriam a acontecer. Apesar de Deus sempre ter preservado o corpo físico de Maria, Ele nunca poupou a sua alma – Ele sabia que Maria teria força e amor suficientes para suportar todas as dores: Ela nos ensina que nós também podemos superar.

Naquela revelação, a dor de Nossa Senhora era de saber que seu filho passaria por tamanha dor.

Maria sofreu para que fôssemos salvos

Por isso, sabendo Nossa Senhora o valor de nossas almas, Ela faria tudo de novo para que fôssemos salvos. Como comparou um grande bispo, Venerável Fulton Sheen: “É como se Maria fosse a única pessoa que tivesse visão em meio a um povo cego”. Ela corre para todos os lados para nos ajudar, pois somos cegos pelo pecado.

No dia da apresentação, Nossa Senhora já sentia o que Jesus iria passar… Tanto que, em paralelo à noite de Quinta-feira Santa, na qual Jesus é preso para iniciar sua crucificação, Ela também sentiu. Hoje, no altar após a Santa Missa, tudo ficará despido: a Igreja fica vazia. É uma visão de tudo que Jesus vai passar, pois o altar desnudo é sinal daquilo que Nossa Senhora já sabia, que seu filho iria sofrer desnudado.

2ª Dor – A fuga para o Egito

Nesta segunda parte, seremos conduzidos por São Mateus 2, 13-15.

O evangelista descreve um cenário onde um bebê é odiado e invejado. De todas as formas Herodes quer exterminá-lo da face da terra, por medo de perder seu reinado. Mal sabia ele que Jesus não fazia questão nenhuma de tomar o seu lugar, pois Ele já tinha o Seu próprio lugar de Rei.

E saber que Maria sofreria todas as dores por conta da nossa alma… Ela fugiria para o Egito quantas vezes fossem necessárias para nos dar acesso a salvação!

Nem imaginamos como foi essa ida para o Egito. Todo o caminho foi trilhado a pé, não existia transporte, e Jesus era um bebê. Uma viagem longa, tendo que atravessar o deserto – alguns estudiosos calculam que durou cerca de 30 dias. Era um ambiente desconfortável, quente durante o dia e frio durante a noite. Onde encontrar comida? Onde encontrar lugar para dormir? Não foram poupados! Deus não poupou para que nós não tenhamos a desculpa de não conseguirmos.

A graça do padecimento

A Sagrada Família viveu a sua humanidade em plenitude. Nós também temos condições de viver, justamente porque nem eles foram poupados. A viagem era só o começo, pois eles ainda iam habitar em uma terra estrangeira. Chegando lá, tiveram que se arranjar… Imagine que José não tinha trabalho, teve que se adaptar. O Egito é uma terra totalmente contrária a tudo que a família de Nazaré iria viver.

Ainda sobre esse episódio, a Bem-aventurada Verônica de Pinhasco teve a graça, em seus momentos de oração, de ir junto com a família de Nazaré para o Egito. Terminando a viagem, ela ouviu Nossa Senhora assim dizer: “Filha, veja quantas fadigas passamos nesta viagem sabe pois que ninguém recebe graças sem que antes padeças. A graça vem, mas antes vem o padecer. As graças são infinitas maiores do que as dores que passamos”.

3ª Dor – A perda do Menino Jesus

Por fim, o Evangelho que nos conduzirá está em São Lucas 2, 41-50.

Imagine a aflição de seus pais por não saberem onde estava o seu filho! Penso que a dor da perca seja mais dolorosa do que a dor da morte. Viver o luto é humano, mas quando uma mãe não sabe onde está o seu filho, é desesperador.

E Maria passou por isso durante três dias… Ela é verdadeiro exemplo para tudo o que a mulher vive! Ela é exemplo em tudo para nós. Tudo viveu com fé e amor, não reclamou, não se desesperou, mas guardou em seu coração.

Além disso, os pais de Jesus não entenderam nada, como a passagem diz. Porém, não questionaram Deus, pelo contrário, viveram aquele momento. Assim, Nossa Senhora não entendia, mas souber viver perfeitamente sem questionar a Deus.

Sofrermos todos nós vamos, a diferença é como vamos sofrer. Maria e José sofriam junto de Deus, e por isso conseguiam. Essa dor nos leva a procurarmos Jesus sempre que nós nos considerarmos perdidos. Todo esse amor, que Maria viveu em todas as suas dores, está totalmente ligado à sua entrega. Ela não ficou nada para si, entregou tudo de maneira absoluta.

Nossa Senhora se entrega às suas dores de forma perfeita.

É uma entrega total: o amor exige uma entrega total. O amor só é amor quando se entrega por inteiro.

Acolhamos o sofrimento como uma graça em nossas vidas. Não fechemos a porta… Mesmo que sofrer seja difícil, mas é a porta do Céu. A escolha é nossa! O sofrimento faz parte da vida, e nós temos que sofrer, embora não queremos.

Quanto a isso, Padre Paulo Ricardo nos esclarece que, aqueles que foram os amigos mais próximos de Jesus, foram os que mais sofreram.

Portanto, pare de reclamar; acolha sua cruz! Pare de reclamar, ame, pois ela é o seu passaporte para o Céu!

 

Maria Izabella Silva de Sá
Consagrada na Comunidade de Aliança Filhos de Sião

 

::: Acompanhe na íntegra – Retiro Semana Santa :::

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