Formação

Retiro Quaresmal 2024 – Terceira Semana: De Maria pediu-se muito mais que de Abraão

Na adoração à santa vontade do Pai

 

Comecemos nossa semana pedindo a Deus a graça de permanecermos novos. Novos para correspondermos ao seu chamado que traz sempre grandes surpresas. Novos para respondermos com gratidão a tudo aquilo que o Senhor quisera nos chamar para vivermos. Novos para o sim diário, na vida ordinária e nos pequenos detalhes da vida. Novos para de graça dar o que de graças recebemos.

Vamos ver como Abraão pode nos ajudar a compreender o significado da presença de Maria ao pé da cruz. Este paralelo é sugerido pelo mesmo anjo Gabriel na anunciação, quando disse a Maria as mesmas palavras que foram ditas a Abraão: “A Deus nada é impossível” (Gn 18,14; Lc 1,37). Deus prometera a Abraão que teria um filho, embora houvesse ultrapassado a idade e sua mulher fosse estéril. E Abraão acreditou. Também a Maria, Deus anuncia que terá um filho, muito embora não conheça homem. E Maria acreditou.

Estamos contemplando, irmãos, dois acontecimentos em que Deus foi agindo com aqueles que Ele mesmo havia escolhido. A ação de Deus foi para realizar o impossível. Rezemos aqui com nossa história, percebendo a ação de Deus que está sempre presente.

Vejamos como Deus intervém de novo na vida de Abraão para pedir-lhe, desta vez, precisamente que lhe imole aquele filho que Ele mesmo lhe dera e do qual dissera: “Em Isaac terás uma descendência”. E Abraão, também dessa vez obedeceu. Também na vida de Maria, Deus vem uma segunda vez, solicitando-lhe que consinta e até assista à imolação do seu Filho, do qual fora dito que reinaria para sempre e seria grande. E Maria obedeceu. Abraão subiu com Isaac ao monte Moriá, e Maria subiu após Jesus ao monte Calvário. Mas de Maria pediu-se muito mais que de Abraão. Com ele, Deus parou, interrompeu o pedido no último instante e ele recuperou o filho vivo. Com Maria não. Foi-lhe preciso cruzar a linha extrema e sem retorno, que é a morte. Recuperou o Filho, mas só depois de o terem baixado da cruz.

Irmãos, nosso retiro espiritual vai nos levando para uma íntima amizade com o nosso amado Jesus. Ele quer estar perto de nós. Este é um tempo propício para voltarmos para a intimidade e deixar que sejamos atraídos de novo pela sua paixão. Estamos sob a sombra da Cruz de Jesus ao lado de nossa Mãe. Escute o Senhor, Ele quer falar a você. Aos escolhidos, Deus vai sempre tomando a vida e manifestando a sua Vontade, nem que Ele interrompa no meio do caminho, como fez com Abraão, ou que peça de nós o extremo. O Senhor quer que obedeçamos. Obedecer ao Senhor é confiar nas suas promessas, é acreditar a verdade do seu chamado. É viver como Ele nos chama para viver.

A obediência para nós tem sido uma grande fonte de benção? Obedecer tem sido um caminho seguro para agradarmos a Deus? Estamos acolhendo os planos de Deus? Ou estamos apenas pedindo ao Senhor que abençoe os nossos planos? Esses questionamentos servem para provocar em nós a paixão pela escolha de Deus por nós. Estimula-nos a entender como temos deixado Deus agir na nossa vida. Busquemos mais tempos de silêncio, para que saibamos discernir a voz de Deus das vozes que nos enganam e nos levam para outro caminho. Cuidemos, irmãos, para não estarmos adorando outros Deuses interiormente e exteriormente.

Deixemos que, durante toda esta semana, a fé de Abraão e a esperança de Maria sejam caminho seguro para continuarmos sob a sombra da cruz de Jesus adorando a Vontade do Pai.

 

Na Comunidade, a obediência seja vivida como uma grande fonte de bênçãos. Ela é o eficaz instrumento que o Senhor utiliza para purificar a vontade do homem, libertando-o de si mesmo e de possíveis enganos. (EFS Art. 73)

 

Francisco Adriano Silva
Cofundador e Consagrado na Comunidade de Vida com Promessas Definitivas 

 

Referências:
CATALAMESSA, Raniero. Nós pregamos Cristo Crucificado. Edições Loiola;
CATALAMESSA, Raniero. Pastores e pescadores. Editora Ave-Maria;
Estatutos Filhos de Sião;
Bíblia Ave-Maria.

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