Demos início ao projeto “Rumo aos 30” com o Ano da Missão! Este é, para os Filhos de Sião, o ano do deixar-se enviar, do entregar-se à missão, da prontidão e da disponibilidade do ir, do sair. É o ano da comunidade em saída.
Disse o Papa Francisco, na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium: “O bem tende sempre a comunicar-se”. E há uma necessidade urgente a ser comunicada ao mundo: o Amor não é amado!
“Mãos sujas são as que retêm algo, que não se abrem para dar-se.”
Para São Camilo de Lellis, nossa inspiração no apostolado e na missão, as mãos representam toda ação evangelizadora. Camilo não era um homem de muitas palavras, mas profundamente de ações.
Como estão as nossas mãos? Sujas e fechadas? Ou limpas e abertas?
“Inspirada em São Camilo de Lellis, a Comunidade alimente em seu coração a chama missionária e apostólica, bem como a prontidão para sair pelo mundo anunciando o Evangelho a toda criatura, levando ao coração dos homens a esperança do céu — sentido e fim último da Vocação Filhos de Sião — exercendo o seu apostolado e missão com mais corações nas mãos.”
(EFS 67)
“Na doação, a vida se fortalece; no comodismo e no isolamento, ela se enfraquece.”
Essa lógica pode parecer absurda, mas quem guarda a sua vida vai perdê-la; e quem perde a sua vida por causa de mim — diz Jesus — vai ganhá-la (cf. Mc 8,34-38).
O que temos para oferecer, ninguém tem. O que eu posso oferecer, ninguém pode.
A missão é comum, mas a contribuição é pessoal!
E mesmo sendo fracos e pecadores, disse o Papa Francisco: “O dom de nós mesmos é necessário.”
“Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo. É preciso considerar-se marcado a fogo por essa missão de iluminar, abençoar, vivificar, levantar, curar, libertar. Nisso se revela o enfermeiro autêntico, o professor autêntico… que se decidiram estar com os outros e ser para os outros.”
(Evangelii Gaudium, 273)
Na carta escrita por nossa fundadora, rumo aos 30, para o Ano da Missão, somos motivados a voltar às nossas origens: aos primeiros missionários, às primeiras missões. Muito nos ajudaria fazer memória da ocasião em que nos sentimos atraídos por Deus pela primeira vez, do momento em que nos enamoramos do Senhor e percebemos, de maneira profunda, a razão e o sentido da nossa existência.
Recordar a experiência do amor libertador que nos alcançou e deu sentido à nossa vida, preenchendo o vazio que antes nos habitava, a ponto de dizermos, com São João Paulo II:
“O amor me explicou tudo. O amor me explicou tudo!”
Meus irmãos, precisamos redescobrir o valor da missão: do ir, do deixar-se enviar, do sair, do ir ao encontro, do anunciar a novidade do Evangelho que nunca se esgota, porque Deus nunca se esgota!
Somente um coração inflamado de amor é capaz de permanecer na missão. Peçamos sempre um coração inflamado, apaixonado, enamorado de amor por Deus! Para permanecermos fiéis e firmes no anúncio do Evangelho, precisamos de motivos, de razões.
A Evangelii Gaudium nos ajuda a permanecer motivados para o deixar-se enviar:
A primeira razão será sempre o amor que recebemos de Jesus. “A experiência de sermos salvos por Ele é o que nos impele a amá-lo cada vez mais.”
Mas é preciso entreter-se com esse amor, com o Amado. Deixar que Ele volte a tocar nossa vida e nos envie para comunicar Sua vida nova.
A melhor motivação para decidir-se a comunicar o Evangelho é contemplá-lo com amor, deter-se em suas páginas e lê-lo com o coração. Recuperar o espírito contemplativo!
Toda vez que alguém o redescobre, convence-se de que é isso mesmo de que os outros precisam, embora não o saibam. Nossa tristeza infinita só se cura com um amor infinito.
Dessa razão nasce a convicção. Não é possível perseverar motivado se não se está convencido, por experiência própria, de que não é a mesma coisa ter conhecido Jesus ou não conhecê-lo. A vida com Jesus torna-se muito mais plena e, com Ele, é mais fácil encontrar sentido para tudo. É por isso que evangelizamos.
Uma pessoa que não está convencida, entusiasmada, segura e enamorada não convence ninguém.
Outro motivo é buscar sempre o louvor e a glória do Pai, ou seja, em tudo glorificar a Deus. Se queremos entregar-nos a sério e com perseverança, essa motivação deve superar todas as outras (cf. Ef 1,6). Independentemente do que nos convém, nos interessa ou nos seja proveitoso, para além dos limites dos nossos desejos e compreensões, evangelizamos para a maior glória do Pai que nos ama.
É essencial, para manter-se motivado na evangelização, amar aquilo que Deus ama. A missão é uma paixão por Jesus e, simultaneamente, uma paixão pelo seu povo. O amor às pessoas é uma força espiritual. Se queremos crescer na vida espiritual, não podemos renunciar a ser missionários.
A pessoa que se oferece e se entrega a Deus por amor será, com certeza, fecunda. Deus se serve da nossa entrega para derramar bênçãos em lugares do mundo aonde nunca iremos.
Por fim, há uma oração que nos incentiva de modo especial a gastarmo-nos na evangelização e a procurar o bem dos outros: a oração de intercessão. Interceder não nos afasta da verdadeira contemplação, porque uma contemplação que deixa os outros de fora é uma farsa.
Irmãos, somos um povo escolhido. Experimentamos Deus, vimos Sua santidade.
Também nos deparamos diariamente com nossas fraquezas e pecados, e precisamos purificar-nos de nossas impurezas para nos colocarmos à disposição de ir ao encontro dos que ainda não conhecem a Deus.
Somos um povo consagrado que recorda ao mundo aquilo que ele esqueceu: Deus!
A pergunta que o Senhor nos faz hoje é a mesma que fez ao jovem Isaías: “Quem enviarei eu? E quem irá por nós?”
Nossa resposta só pode ser uma: Eis-me aqui, enviai-me!
Somos o povo que Deus escolheu. Somos a resposta para o homem que já O esqueceu.
Julineide Mendes
Consagrada na Comunidade de Aliança com Promessas Definitivas