Formação

SVES – Não há pecado que supere a Misericórdia divina

Iniciamos o Seminário de Vida no Espírito Santo ouvindo sobre o amor de Deus, pois ao descobrirmos essa verdade, seremos, então, capazes de entregar a Ele as nossas vidas!

Meditemos a partir de Gênesis.

No princípio da Criação

Deus criou o homem e a mulher, e tudo o que há para nós, a fim de que cuidássemos e dominássemos (cf. Gn 1).

No desenvolvimento da narrativa, a serpente se aproximou da mulher pela fraqueza (cf. Gn 3, 1s). É interessante notar que o inimigo chegou até Eva através da mentira. Não foi apenas o agradável aspecto do fruto que a seduziu, mas pelo modo o qual a serpente o apresentou. Assim, a serpente, o pecado se revela para nós de maneira sutil.

Além disso, como refletimos no caminho quaresmal proposto pela Comunidade neste ano, não devemos dialogar com o demônio, pois é pela nossa fraqueza que seremos tentados. Ele usará de estratégias, de sutilezas para nos arrastar. Por essa razão, é preciso fugir das ocasiões de pecado (cf. 2 Tm 2, 22).

Todo pecado tem consequências

Ao abrirem seus olhos, Adão e Eva perderam a pureza. E além dessa, outra consequência do pecado foi o escondimento, a vergonha. Sendo os olhos as lâmpadas da alma (cf. Mt 6, 22), somos capazes de nos enxergarmos, por isso os nossos primeiros pais perceberam que estavam nus, e a vergonha tomou conta de seus corações. Conosco também é assim: o pecado nos condena, nos afasta da oração, dos Sacramentos.

Dessa forma, quando ouviram os passos de Deus no jardim (cf. Gn 3, 8), podemos supor que eles tinham uma profunda intimidade com o Criador, pois O reconheceram apenas pelo som. Então, Ele faz a primeira pergunta mencionada nas Sagradas Escrituras: “Onde estás?” (cf. Gn 3,9), revelando a preocupação de um Pai para com os Seus filhos, os quais lhes tinha dado tudo, e os fez a Sua imagem e semelhança.

Ora, se podemos cair no pecado, por que Deus nos deixa livres? Pois o amor não nos aprisiona – ao contrário, ele liberta – e Deus nos ama. De nossa parte, usamos as nossas limitações e fraquezas para optar corresponder ou não aquilo que é vontade de Deus.

Não nos enganemos: o pecado é “bom”! Ele não se apresentará de forma feia ou ruim. Porém, não demorará para mostrar o “seu rosto”, e trará consequências, que podemos perceber claramente em nossas vidas.

Deus quer resolver essa situação

Quando Deus diz “cuidemos”, Ele se refere à Trindade. Isto é, Deus Pai, Filho e Espírito Santo se voltaram para cuidar da Criação após pecarem, tomando o fruto da árvore proibida (cf. Gn 3, 11). No entanto, há uma outra, a árvore da vida, que é o Cristo. Quem d’Ele se alimenta vive eternamente, e Ele veio para resolver nossa situação, para nos salvar, abrir o Céu para nós.

“A salvação é como um ingresso”, dizia Monsenhor Jonas Abib, que é preciso segurar firme, pois sem ele não entramos no reino eterno.

Por isso, não podemos permanecer na ingenuidade de achar que o demônio não existe, ou que ele não tem poder… Pois até Adão, que não dialogou com o demônio, foi seduzido e prejudicado.

Pela Cruz somos libertos

O pecado quer nos descaracterizar, nos convencer de que somos incapazes de sair do pecado, de rezar. Mas diante da cruz de Cristo, do Seu Sangue Redentor, somos libertos.

Diante disso, não há como ver Jesus Salvador e não pensar na cruz, pois foi nela que a nossa filiação foi restituída, a nossa dignidade como filhos de Deus.

Portanto, a misericórdia de Deus prevalece, independente do pecado – por maior que seja! Na cruz todos os nossos pecados, falsidades, adultérios, mentiras foram lavados pelo Sangue precioso de Jesus.

Mira quem te mira

Não nos culpemos ao olhar para a cruz… Devemos contemplá-la e nos sentir amados, curados e libertados!

Na antiga aliança era preciso o sacrifício de um cordeiro, na nova aliança, o Pai tomou o Seu Filho, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, para entregá-Lo por amor a cada um de nós.

Olhemos para o Crucificado: n’Ele há resposta para todos os nossos desafios, pois Cristo não morreu em vão. E permanecemos em Seu caminho por causa d’Ele. O único capaz de restituir nossa vida, nossa família, nossos relacionamentos, nossa afetividade… Não paremos nos nossos pecados! Levemos tudo a Jesus. Como disse São Francisco: “Mira quem te mira”.

Vamos a Cristo

O céu foi aberto para nós, para mim, para você! Isso é bíblico, é profético. Creia! Se assim não fosse, estaríamos fadados ao fracasso do pecado.

Passar pelas dificuldades na amizade com Cristo é diferente, pois n’Ele temos um porto seguro que não nos condena. E Ele hoje questiona: “onde estás?”.

Por que você tem se escondido no pecado? Sofrendo sozinho? Traga tudo isso para Deus, Ele pode mudar qualquer realidade, porque não há culpa ou pecado maior do que a misericórdia divina.

Ainda na cruz, Jesus diz que tem sede (cf. Jo 19, 28). A nossa humanidade não conseguiria compreender a desfiguração de Cristo crucificado, até que ponto Ele foi capaz de ir por nós… Entendemos que essa sede do Crucificado é de almas.

Sede de famílias, que mesmo na correria se esforçam para estar junto d’Ele. Sede de jovens corajosos e dispostos a viverem a castidade. Sede de você! Tome seu pecado e leve para Deus. Ali, junto à cruz, receberemos a resposta, a libertação, a salvação!

 

Francisca Roberta Fonteles
Consagrada na Comunidade de Aliança Filhos de Sião

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