VOCACIONAL FILHOS DE SIÃO

O Dom de escolher o bem

Qual foi o dia que você recebeu o grande convite do Senhor? Qual foi a data exata desse encontro? Quando nos encontramos com Ele, aquele dia, aquela hora não podem passar despercebidos, nem devem ser esquecidos por nós. É importante sempre nos lembrarmos do convite que o Senhor nos fez. Verdadeiramente começamos ali uma história de amor!

São muitos os convidados

Deus chama a todos, mas poucos são os que entram (cf. Mt 22, 14). Nessa caminhada há uma “peneira”, retirando aquilo que não serve. Ao chegarmos até aqui compreendemos que passamos pela peneira… Louvado seja Deus! Não por força própria, mas pela graça de Deus.

É certo que, a cada dia, travamos uma luta para permanecermos na vontade do Senhor. A cada dia é uma luta entre permanecer nEle e fugir do inimigo – que quer nos derrubar.

Assim, Deus te escolheu para si, no Seu amor. Agora Ele quer, deseja e espera que você viva escolhendo-O, optando pelo que te une a Ele, e se afastando daquilo que te afasta dEle! Por isso, é preciso viver no cuidado do Senhor. Se você cuidar, não sairá de Suas mãos.

Vivamos a cada dia nesse cuidado: se faço algo errado, vou lá e conserto. Se machuco alguém, vou até o irmão pedir perdão.

Mais que um convidado: um escolhido

Num mundo de milhões de pessoas, ser um eleito, um escolhido é algo grande demais! Deus te escolheu para a vida eterna, para a felicidade que o mundo não conhece. Ele te escolheu para esse fim, portanto, é isso que você deve tomar posse.

A presença do Senhor é o melhor, por isso o convite: Vinde, tudo está preparado! (cf. Mt 22, 4).

“Vocação” é um chamado divino, é dom. Não se trata de uma invenção, também não se permanece nela apenas por querer. Todos os dias precisamos ser gratos por essa escolha. De fato, Deus é aquele que chama, e nós somos aqueles que respondemos.

Cada escolha que tomamos tem uma consequência. Vocação não é invenção. É algo que você encontrou, ou que Deus lhe fez encontrar. Tal como muitos encontram o caminho das drogas, do alcoolismo, da prostituição… Você, entretanto, encontrou um caminho para viver junto de Deus – todos os dias! Ele não se separa de você, e você – na sabedoria – não deve se separar dEle!

Caminhando rumo à felicidade

Esse caminho encontrado não te conduz para viver desregradamente, mas para uma vida feliz: Vocação encontrada, vida feliz! Você encontrou uma via que te concede felicidade, vida plena. No entanto, Deus não te obriga – você é livre para escolher! Caminho de amor, de felicidade, de se decidir por Cristo.

Não é, também, um projeto que você fez para a sua própria vida. Na verdade, é o Senhor quem propõe que você seja amigo dEle. Ele nos propõe, nos convida a esse caminho de amizade para sempre. Só depende de você. A escolha é tua!

Não é uma decisão que você toma: “Vou fazer um vocacionado”… É um chamado. O vocacional é o começo do caminho. Repare que o Senhor se apresentou de diversas formas nesse ano… Agora Ele questiona qual a tua escolha.

Com Pe. Zezinho cantamos: “A decisão é tua”… Essa canção doía em mim, pois eu já havia errado em tantas decisões. Eu estava diante de uma oportunidade de felicidade e de infelicidade – era preciso acertar! Essa canção me fez compreender o peso da responsabilidade de ser de Deus ou do demônio, de fazer a minha vontade ou a do Senhor, de escolher o Céu ou o inferno.

Logo, não vacile nessa decisão! Não seja bobo, ou frágil! Temos opções de escolher: entre o bem e o mal, a vida e a morte.

O dom de escolher o bem

Deus é tão bom que nos dá o dom de discernir: de escolher o bem ou mal, a vida ou a morte. Ele existe para distinguirmos a identidade do Espírito de Deus, do espírito do mal, e do espírito humano. A cada dia surgem situações para discernirmos “de onde vem” – de mim, do mal ou de Deus?

No Éden, o primeiro casal à imagem e semelhança de Deus só conhecia o bem. Eles tinham o dom do discernimento, e Deus ainda se antecipou dizendo-lhes: “Não comam daquela árvore!”. Mas o inimigo surgiu como um bem, e Eva aceitou o fruto… Eva se utilizou do espírito do mal e do próprio espírito para essa escolha.

Estamos a cada dia explorando o mal, temos curiosidade… Ninguém caminha enganado. Cuidado!

No caminho vocacional, no percurso da nossa vida como um todo, o Senhor nos dá o dom do discernimento para cuidarmos de outro dom que Ele mesmo nos confiou: o Carisma.

Sempre que você tiver uma intuição para algo, pare e reflita: de onde ela vem? A causa de um comportamento, de um pensamento – se ele lhe parece estranho, reflita de onde vem.

É preciso reforçar que nem todo lugar devo ou posso estar; nem toda roupa, ou mesmo corte de cabelo, convém a você. Não esqueça, pois tudo tem uma história, uma origem. Aquilo que convém é o que nos conduz à imagem e semelhança da Vontade de Deus.

Dessa forma, quem reza sabe discernir! Quem reza reconhece a “fumaça do inimigo” desde longe… O dom do discernimento nos auxilia nas ocasiões práticas do cotidiano. A cada dia, peçamos ao Espírito o dom de bem discernir.

Formas de discernimento

  1. Bom senso: Saber o que convém – se devo ou não fazer;
  2. Científico: Ser a favor da vida, seja através das medicações, dos diagnósticos;
  3. Doutrinal: Confiar na Igreja – sua tradição, sua doutrina e seu magistério;
  4. Carismas: Descobrir e desenvolver os carismas e dons que Deus me deu;
  5. Vocacional: Para que Deus nos chama? A vocação nos direciona.

Saiba que o Pai nos chama por causa de Cristo, da Sua Igreja, do Evangelho e da humanidade… “Ai de mim se eu não evangelizar!” (cf. 1 Cor 9, 16).

Nosso saudoso Servo de Deus Monsenhor Waldir nos conduziu assim: “Quero que os filhos de Sião sejam Igreja. Andem em comunhão com os bispos, padres… Coloquem a mão na massa, e estejam unidos”. Por causa do meu e do seu sim, as portas do inferno não prevalecerão!

Exigências para distinguir uma vocação

  • Ter reta intenção – isto é, saber onde quero chegar;
  • Examinar a si mesmo para saber se há condição para abraçar o chamado (se não existem impedimentos de saúde; se vivo moralmente; se sou equilibrado espiritual, psicológica e humanamente);
  • Prestar atenção como nasce a vocação e deixar-se formar. Aqui verifique como vivem os irmãos na Comunidade, como ela acontece, como ela age na vida dos membros. Aquele que está fora pode nos enxergar melhor e nos ajudar a entrar nos trilhos.

Deus tem poder de fazer das pedras, filhos! Sendo assim, não importa nossa vida até o momento em que Deus nos chamou, o que importa é viver a escolha do Senhor. Por isso, é preciso retidão! Ele sabe que através da sua vida, muitos chegarão até Ele. Está em jogo a sua felicidade, e a de muitos outros. Portanto, é preciso decidir dar o passo, sem desanimar!

Passos para o discernimento vocacional

1 – Oração

Trata-se de um diálogo com Deus, nEle descobrimos Sua vontade. Saiba que a vida de oração é para sempre.

2 – Percepção para ver o que Deus quer de mim

  • Cultivar o silêncio interior, perceber os detalhes divinos; questionar: O que tem movido o meu interior?
  • Escuta daqueles que apoiam, bem como os que criticam suas decisões;
  • Aprenda a olhar os homens e acontecimentos à sua volta.

3 – Informação

Conheça a fundo a sua Comunidade. Conviva, veja de perto a realidade dos irmãos, a fim de que você tenha informações suficientes para perceber sua identificação com ela.

4 – Reflexão

A vocação é uma empresa – demasiadamente grande. É a porta para toda a vida, e a vida plena!

5 – Decisão

Em São Lucas 9, o evangelista traz os três casos de vocação, diante os quais Cristo é exigente: não há porque voltar atrás, isso é coisa de frouxo! Você não pode duvidar do que quer: a felicidade é uma só – Jesus.

6 – Ação

Uma vez tomada a decisão, avança! Faça acontecer o teu chamado, a fim de quer te tornes fiel a cada dia naquilo que você decidiu.

7 – Direção Espiritual

No caminho é bom e necessário contar com irmãos mais experientes, que são capazes de nos auxiliar na escuta da vontade de Deus. Portanto, permita-se conduzir.

 

Vander Lúcia Menezes Farias
Fundadora, Consagrada na Comunidade de Vida com Promessas Definitivas

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