VOCACIONAL FILHOS DE SIÃO

Retiro Vocacional – O tripé da Vocação Filhos de Sião

Retiro Vocacional 2024. Falar sobre a Vocação para a Vocação é uma responsabilidade! É trazer à tona o espírito da fundação da Comunidade, bem como o da fundadora, pois estaremos nos baseando pelos nossos escritos, nossos Estatutos.

Estamos aqui dando um “sim” àquilo que nós já somos: Filhos de Sião!

O tripé da Vocação Filhos de Sião

A Oração Contemplativa

Ao contemplar a vida de São Francisco, percebemos traços dele na vida da nossa fundadora. Mais que uma inspiração, podemos enxergar a vivência da contemplação desse grande Santo na vida de nossa fundadora.

Sobre a contemplação em si, por causa da correria, não contemplamos mais aquilo que tem ao nosso redor, por mais simples que seja. Sendo assim, precisamos pedir ao Senhor que nos chame de novo, como disse o Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2023 – e ele se dirigia não apenas aos vocacionados e consagrados, mas à toda a Igreja.

Quando a Comunidade diz que nós devemos viver a oração contemplativa significa que é necessário ter o olhar voltado para o Senhor. Se não tivermos esse olhar, seremos apenas empregados, “administradores da graça de Deus”, tal explicou o Papa na mesma JMJ.

Os nossos corações devem estar voltados para Jesus

Você já parou para refletir o que te sustentou até aqui? Até este retiro final?

Comparo a trajetória vocacional como escalar uma montanha. Eu faço a comparação do meu próprio ano na Vocação como uma subida… E se não tiver sido uma experiência com Jesus o que sustentou – a mim e a você – até aqui, o que foi, então?

Logo, contemplação é ser contemplativo. Ora, ao exercitarmos essa ação, seremos capazes de ver Deus em todas as circunstâncias e situações de nossa vida. O ato de contemplação nos leva a estar, a amar, a nos decidir por Cristo.

Isso porque nossa vida é a entrega de nós mesmos para Cristo, sabendo que esse processo é diário – seremos contemplativos a cada dia, um dia de cada vez:

Não seremos consagrados todo dia, mas sim a cada dia!

A Conversão Diária

Agora, vejamos a contemplação de Jesus em Mateus 9, 9ss, e também a conversão de um dos Seus apóstolos. Quando Ele viu Levi – cobrador de impostos, pecador público, ladrão – na coletoria de impostos para cobrar dos mais pobres, Cristo o chamou. Imediatamente, Levi levantou, deixou tudo e seguiu Jesus.

Em seguida, faz um banquete, convidando todos aqueles que viviam como ele mesmo – publicanos, cobradores de impostos, e ao ver essa situação, os fariseus questionam. Nisso percebemos que Jesus é o homem da contemplação: ao olhar para Levi, Ele não viu o pecador, mas o homem com qualidades, talentos e oportunidades.

Nós, diferente de Cristo, vemos o exterior. O Senhor vê além, enxerga o homem, a mulher que Ele mesmo criou – filhos Seus com qualidades, talentos e dons que Ele nos deu.

Só Deus tem poder para transformar um pecador num santo!

Nos Evangelhos, vemos inúmeras situações em que Jesus contempla a miséria humana, como o pecado, a doença, a vergonha – qual Maria Madalena, que para além dos seus erros e misérias, ela foi aquela que anunciou a Ressurreição.

Diferença entre a escolha e o chamado

Há uma diferença entre ser escolhido e ser chamado por Cristo. Aquele que escolhe, pode escolher qualquer coisa ou pessoa. No entanto, aquele que chama espera uma resposta. É preciso querer estar perto de Deus, não basta ser chamado e eleito. Sobre isso, São Pedro nos diz: cuidai de assegurar a vossa vocação e eleição (cf. II Pe 1, 10).

Depois da oração contemplativa, para o Filho de Sião, reconhecer é o próximo passo: “Eu preciso de conversão!”.

Até para educar os filhos é necessário se converter. Conto a você meu testemunho pessoal: levei essa realidade para a minha casa, para o meu convívio, e percebi o quanto preciso de conversão – o quanto preciso me quebrar para educar alguém; o quanto estou longe do ideal; o quanto preciso me desarmar.

Coerência e conversão

Se estamos aqui, é porque é vontade de Deus. Por esse motivo nós precisamos responder, e não com uma resposta qualquer, mas responder como somos. No meu caso, devo responder como consagrada de Aliança, como vocacionada… Minha resposta deve ser coerente, conforme minha vida na Comunidade, seja em casa, no trabalho, no estudo. Afinal, a Comunidade de Aliança vive no meio secular, e o consagrado precisa vigiar, zelar.

Pode crer: você é vigiado, observado! E as pessoas estão certas de assim o fazerem, pois o mundo mente. Quem pode apresentar a verdade? Os consagrados! O mundo lá fora espera de nós a Verdade.

Portanto, a conversão é necessária, não tiremos os olhos de Jesus. A contemplação é isso: olhar para Cristo e ser olhado por Ele.

Ao tirar meu olhar de Cristo, passo a “ver as coisas”, a questionar, a discordar… Quando me afasto de Deus, tudo pesa, tudo se levanta contra a minha vontade. Porém, quando nos aproximamos dEle, o amor torna tudo leve! Tudo faz sentido!

Sem contemplação, sem conversão diária, você pode olhar, desviar-se para um lado ou para o outro! É necessário ainda, conhecer-se, contar com a misericórdia do Senhor. Como nossa baluarte Santa Teresinha, rezar: “leva-me, Senhor, que Teus braços sejam o meu elevador”.

A cada dia…

Francisca Roberta Fonteles – Consagrada na Comunidade de Aliança com Promessas Definitivas

Lembro do início da Comunidade, e em certa ocasião nossa fundadora fez a seguinte comparação: “A Comunidade é um barco, no qual todos estamos dentro, em alto mar. Conforme a Comunidade foi crescendo vocacionalmente, muitos pularam do barco. Contudo, o barco não está atracado à margem, ele está em alto mar. Se alguém pular, corre o risco de até morrer!”.

É a minha vida que precisa ser convertida à forma da Comunidade, não a Comunidade que se amolda a mim. A minha rotina é cronometrada, e isso não me faz infeliz… Ainda que seja exigente.

Aos pés de Jesus é que se chega à conversão, porque a oração nos revela quem nós somos. E se não estamos nEle, não seremos capazes de acolher aquilo que for descoberto. É um ‘quebrar-se’ a cada dia.

Além disso, o Evangelho é para nós a voz de Deus. E Ele fala todo dia! O que Ele tem para nós hoje não é o mesmo de ontem, nem o de amanhã. A cada dia é um novo.

O nosso papa Francisco nos ensina que a contemplação é ver nas coisas o Criador. É o que Jesus faz conosco: Ele nos contempla, vê em nós o próprio Deus, a capacidade de amar.

“Mira quem te mira!” (São Francisco)

A Vida Fraterna

A vida fraterna do filho de Sião é fundamentada em São João: “amai-vos uns aos outros como Eu vos amo” (cf. Jo 15, 12).

Tudo isso que conversamos até aqui é por causa de alguém: o outro, o nosso irmão. Nossa vida não tem sentido sozinha. Como chegaremos ao Céu sem o outro? A nossa vida de oração se concretiza na vida do outro.

Para tanto, a Comunidade tem uma regra difícil! Nós, filhos de Sião, precisamos solucionar nossas diferenças com o irmão o mais breve possível, em clima de zelo e muito respeito; fugindo da indiferença, do ciúme, do exclusivismo (cf. EFS). Em hipótese alguma poderemos chegar a Deus sem passar pelo irmão!

Recordemos que o espírito da fundação é santo, é para a nossa santificação, logo, precisamos buscar a santidade.

 

Francisca Roberta Fonteles
Consagrada na Comunidade de Aliança com Promessas Definitivas 

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