VOCACIONAL FILHOS DE SIÃO

Retiro Vocacional – O Tripé da Vocação

Deus presenteou os Filhos de Sião com um grande tesouro, que chamamos de Tripé. Essa estrutura nos mantém em equilíbrio, impedindo que pendamos para frente ou para trás. São três bases sólidas que nos sustentam de pé, firmes e perseverantes. Ser Filho de Sião está profundamente enraizado nesse tripé, que dá forma e identidade à nossa caminhada.

Oração Contemplativa

O primeiro presente é a Oração Contemplativa. Orar não é apenas cumprir um dever, nem rezar por simples repetição de palavras. O que o Senhor nos pede é a contemplação: um encontro mais profundo, cuidadoso e demorado, vivido com zelo e amor. Contemplar exige entrega total, estar inteiro diante de Deus, e não apenas em partes.

Seja na oração pessoal, no Santo Terço ou na Santa Missa, somos chamados a viver a contemplação. Nossos Estatutos nos ensinam que a vida de oração deve ser primazia, ou seja, prioridade absoluta em nossos dias. Entre tantos compromissos diários, a oração é aquilo que não pode ser adiado. Se não estamos encontrando tempo para rezar, é a nossa rotina que precisa ser revista, pois a oração é o alimento da alma. Jesus está à nossa espera.

Quando compreendemos essa dinâmica, a oração deixa de ser um peso e passa a ser lugar de descanso. Aos poucos, ela assume o lugar central em nossa vida. Como dizia Santa Teresinha: “Contemplar é olhar atenta e embevecidamente, admirar, apreciar e meditar com amor.”

O Evangelho nos mostra que o próprio Jesus se retirava para orar (Lc 6,12). Existem graças que Deus derrama na oração comunitária, mas há outras que Ele concede apenas na oração pessoal. Por isso, precisamos estar diante do Senhor todos os dias. A nossa alma só é plenamente preenchida pelo amor de Deus, e nossa maior preocupação deve ser permanecer com Ele.

Assim como Jesus subiu à montanha para encontrar-se com o Pai, também nós precisamos subir à nossa montanha, que é a oração pessoal. Subir exige esforço; não é fácil, mas é lá que nos encontramos com Aquele que nos espera. Para tantas coisas temos horário definido, mas por que não para aquilo que é primazia? Se necessário, que seja de madrugada, mas o nosso encontro com o Senhor é inegociável. É o que realmente vale a pena em nossa vida. Do alto da montanha, a visão é sempre mais bela.

Somos chamados, ainda, à fidelidade no Estudo Bíblico, que nos conduz a uma experiência mais profunda com Deus por meio da Sua Palavra. Da mesma forma, a Santa Missa deve ser vivida de modo contemplativo, pois ela nos oferece a experiência mais perfeita do céu aqui na terra. Não pode, portanto, ser vivida de qualquer maneira.

Como recorda Santa Teresinha:
“Para mim, a oração é um impulso do coração, um simples olhar dirigido para o céu, um grito de agradecimento e de amor.

Conversão Diária

A Conversão Diária é fruto da oração contemplativa; é sua consequência natural. Quando rezamos, percebemos a necessidade de uma mudança contínua, de uma busca constante por uma vida nova, segundo a vontade de Deus.

Nossos Estatutos afirmam que o Filho de Sião não pode ter uma experiência com Deus e permanecer o mesmo. A conversão precisa ser diária e radical. A cada dia, o Senhor deseja transformar algo em nós, e precisamos reconhecer essa necessidade. Conhecemos nossas fraquezas e sabemos o quanto somos desafiados a vencer o pecado diariamente.

Na luta cotidiana, manifesta-se o amor que temos por Jesus. Quanto maior a luta, maior a oportunidade de provar esse amor. Muitas vezes, permitimos que o mal nos vença, mas a caminhada cristã é marcada por esse combate constante entre o bem e o mal. Vencerá aquilo que mais alimentamos. Se alimentamos o bem, ele crescerá em nós; se alimentamos o mal, ele também prevalecerá. A escolha é nossa: viver a conversão todos os dias, no perdão, no silêncio e no amor aos irmãos.

Há situações em nossa vida que desejamos eliminar, quando, na verdade, são oportunidades para a santidade e para a nossa conversão. Por isso, somos chamados a uma vida de penitência, de jejum, de renúncias e a uma vivência frequente do Sacramento da Reconciliação.

Vida Fraterna

A Vida Fraterna foi a primeira regra da nossa Comunidade e é essencial para manter o Carisma de pé. A dimensão evangélica do nosso Carisma se expressa no amor a Deus e aos irmãos. Somos chamados a nos debruçar sobre o outro, vivendo um amor que se abaixa e se faz serviço.

Nossos Estatutos nos recordam que o motivo pelo qual estamos juntos é a busca de Deus. Quando somos indiferentes aos irmãos, também nos tornamos indiferentes a Deus.

O Evangelho nos mostra que Jesus escolheu viver com seus amigos até o fim (Mt 26,17-29). Pouco antes de partir, Ele decidiu permanecer com aqueles que amava, deixando-lhes o melhor de Si. Assim também somos chamados a viver: unidos, em fraternidade, sustentados pelo tripé que nos mantém firmes como Filhos de Sião.

 

Maria Izabella Silva de Sá
Consagrada na Comunidade de Aliança com Promessas Definitivas

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