VOCACIONAL FILHOS DE SIÃO

Retiro Vocacional – Senhor, não a minha, mas a Tua vontade

O que nós queremos? A vontade de Deus! Na verdade, a pergunta deve ser pessoal, pois a resposta também o é: O que você quer?

Essa é a temática do Vocacional deste ano, que agora estamos concluindo. E a melhor escolha que podemos fazer, ainda que não estejamos plenamente convictos, é a vontade de Deus. Afinal, nem todas as decisões podem ser baseadas em sentimentos e emoções. A pessoa prudente, guiada pela razão, não toma decisões a partir das paixões, pois elas podem nos enganar.

No Catecismo, aprendemos que a virtude da temperança é a virtude moral que modera o uso dos bens criados e das paixões, mantendo os desejos dentro dos limites da honestidade. Ela não nos conduz a fazer apenas o que é mais conveniente para nós mesmos. Viver bem é amar a Deus de todo o coração e de toda a alma, com um amor íntegro, vivido na temperança.

Sabendo disso, estamos aqui para responder “sim” à vontade de Deus, ao Seu chamado. Assim como Maria Santíssima disse o seu fiat, também nós somos chamados a imitá-la, permitindo que se cumpra em nós aquilo que é vontade e desejo de Deus.

Conduzidos por Marcos 14, 32

No Getsêmani, Cristo fez a oração que inspira o nosso tema vocacional. Somente um coração verdadeiramente despojado é capaz de pronunciar essas palavras. O Filho de Deus viveu totalmente abandonado nas mãos do Pai. Sendo homem pobre, obediente e casto, tinha plena convicção de ter feito a opção pela vontade do Pai. À Sua semelhança, com um coração confiante, também somos impelidos a querer o que Ele quis e a escolher o que Ele escolheu: o plano de Salvação.

O amor de Deus transforma a vida

Quando Jesus abre as portas da Salvação, o Seu “sim” impulsiona os nossos e alcança muitos outros “sins”, pois Ele quer salvar a nós e o mundo inteiro. O Seu “sim” ao Pai, Sua entrega e Sua oferta de vida passam pelo outro e são para o outro: em vista da Salvação, para si e para os demais; para a própria vida de santidade e para que os outros também sejam santos.

Essa resposta nos conduz ao despojamento de nós mesmos, ao esvaziamento e ao aniquilamento pessoal, para que o outro mude de vida, converta-se, ouça a Palavra de Deus e seja salvo, seja santo. O amor de Deus transforma a vida e lhe dá um novo rumo.

Tudo isso é possível a partir da experiência com o amor de Deus. Somente quem experimentou essa graça é capaz de se reconhecer como filho amado, certo de que o Pai jamais faria algo que não fosse o melhor.

Permanecer sob o olhar do Pai

Não sejamos como o filho pródigo, que não quis permanecer sob o olhar do pai: rebelde, autossuficiente e orgulhoso. Não queiramos ficar longe do olhar do Pai! Independentemente da idade, da circunstância ou da situação atual, sempre precisaremos contar com Ele, estar com Ele e segurar a Sua mão.

Quem ama verdadeiramente a Deus não faz cálculos nem medidas. Devemos amá-Lo com tudo o que temos: nosso tempo, nossa inteligência, nossas capacidades e habilidades. Não se pode perder a oportunidade de amar! E não se trata apenas do que fazemos, mas de quem somos e de como somos, na oferta da própria vida.

Para o Filho de Sião, a pobreza consiste no abandono em Deus. Como disse Santa Teresinha: “Quero o que o Senhor quer, e o que Ele faz é o que eu amo.” Com um amor ordenado para Deus, livre das más paixões e esvaziado das futilidades, estaremos livres para deixar o Senhor ocupar o Seu lugar em nossos corações: Ele é o centro! Ele merece! É a Ele que devemos entregar nossas primícias, o nosso melhor. Se não dermos a Ele, a quem mais?

Por fim, para darmos uma resposta a Deus, precisamos saber quem somos: filhos de Deus. E estamos aqui porque O amamos. Ainda que traspassados, feridos, “suando sangue”, somos consumidos por Deus, pelo outro e pelo Reino.

Senhor, não a minha, mas a Tua vontade!

 

Marciele Silva Silvino Teófilo
Consagrada na Comunidade de Vida com Promessas Definitivas

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