Formação

Sábado Santo – O Silêncio de Hoje Não é Vazio, e Sim Fecundo

Que alegria, irmãos! Chegamos ao último dia do Tríduo, com o coração na expectativa de acolher Aquele que vive.

Despertar a mansão dos mortos

Meditando de quinta-feira até hoje, percebemos que é um intenso momento de provar o imenso amor de Deus por cada um de nós.
Na Quinta-feira Santa, Jesus demonstra Seu amor, baixando-se, rebaixando-se para nos servir, a fim de nos ensinar a servir uns aos outros. Na Sexta-feira Santa, Jesus apresenta que não é possível amar sem morrer. Um amor sacrificial, capaz de dar tudo. Embora Deus não morra, com a encarnação, o Homem Jesus morreu, desceu à mansão dos mortos e nos amou.

Já no Sábado Santo, precisamos unir as nossas vidas à vida de Cristo. Não é um período de tristeza, de chorar por Jesus… Pelo contrário, é um tempo de profundo amor, digno de alegria. O mistério de hoje está centrado nesta verdade: Jesus desceu à mansão dos mortos. É um dia de silêncio, mas não um dia pacato, passivo, não. Mesmo com a terra adormecida e silenciosa, Cristo adormeceu e partiu para despertar a mansão dos mortos.

O banquete

Ao descer, Jesus foi, primeiramente, buscar Adão, para dizer: desperta, tu que dormes, levanta-te dos mortos! Num jardim Adão pecou; também em um jardim o Senhor foi entregue aos judeus, e num jardim foi crucificado. Tomou sobre si o peso dos nossos erros, sobre os Seus ombros. Adormeceu na cruz, teve o lado perfurado, recordando também que Adão teve o seu lado “ferido”, quando foi criada Eva. O lado perfurado de Cristo cura o lado de Adão. Agora, o Reino dos Céus está preparado — o banquete, os tabernáculos, o leito nupcial —, pronto para acolher Adão e todos os que dormiram na fé!

Portanto, o grão de trigo que caiu, morreu e produziu muito fruto. Ao fazer essa comparação, Jesus profetizava acerca d’Ele mesmo. Adormecido, no silêncio, Jesus “trabalha” na salvação.

Olhemos para Maria

E é por causa de Cristo, estando em outro plano, que hoje a Igreja olha para a Única que continuou a acreditar: Maria Santíssima.
Cada vez que formos tentados a esquecer nossa fé, quando ela fraquejar, olhemos para Maria. A Igreja nos recorda que a Mãe Santíssima, que tudo viu da Paixão à sepultura do seu amado Filho Jesus, não foi com as demais Marias ao túmulo no domingo. Ora, por que a Mãe não foi ao sepulcro do Filho? Porque ela tinha convicção da Ressurreição.

Recordemos que fomos batizados; logo, não somos prisioneiros da mansão dos mortos. Para que o novo nasça, o velho precisa morrer: essa é a lógica evangélica! A esperança do cristão, do filho de Sião, é que nós não permaneceremos na morte; a ressurreição virá.

“Se o grão de trigo caído no chão não morre, ficará só. Mas, se morrer, frutos nascerão, e a vida então se fará! É feliz quem a Deus se entregar.”

O silêncio de hoje não é vazio, e sim fecundo. Como recordou o saudoso Papa Francisco, esse silêncio não deve ser esquecido, mas saboreado, deixando de lado todo ruído e barulho do mundo em que estamos… É o silêncio para gestar o grande encontro com o Ressuscitado.

É por isso que a Igreja diz, diferente de Maria, que não foi ao sepulcro porque estava firme na fé, que fiquemos junto ao sepulcro. Nós precisamos estar diante dele, sem o perder de vista, de olhos fixos, para não perdermos o momento em que Cristo ressuscitará. Não percamos a grande alegria, o grande espetáculo da Ressurreição!

Meditemos não o Crucificado, mas a esperança

Saiamos da condição de expectadores para nos tornarmos personagens, parte da história, dispostos a olhar interiormente para nós mesmos, saboreando o silêncio, na expectativa do Ressuscitado.

Estar diante do sepulcro marca a nossa história e nos coloca num processo de transformação de vida. É um dia de crise: lembremos dos discípulos — o Mestre havia morrido. Não encontramos registro, nem mesmo nos Evangelhos, sobre esse momento. Nós podemos estar perdidos como eles, em nossos pecados, misérias e limitações… Mesmo no silêncio de Jesus, com o auxílio de Maria, podemos continuar crendo que tudo pode se tornar novo.

Por fim, mesmo sendo um paradoxo entre dor e silêncio, expectativa e alegria, nesse Sábado a litúrgico, meditemos não o Crucificado, mas a esperança. Não existe nada que impeça Jesus de nos amar! Ainda que junto ao túmulo, não esqueçamos que Ele vive, quer que estejamos também vivos!

Estejamos convictos do amor do Senhor!

 

Julineide Mendes
Consagrada na Comunidade de Aliança com Promessas Definitivas

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