Formação

Advento 2023 Comunidade Filhos de Sião: Envia-me para junto de Ti

Está acontecendo conosco uma graça da unidade: Conduzir e mostrar um caminho dado por Deus no Carisma Filhos de Sião para vivermos um grande tempo da nossa Igreja que é o Advento.

O advento nos indica o essencial da vida que é encontrar Cristo nos irmãos – Papa Francisco

Este tempo é nos dado para acolhermos o Senhor e sabermos conhecer Jesus no outro. Se não for assim, não viveremos o Advento em sua plenitude.

Epístola a Filêmon 1, 8-21

A maior graça do Advento será devolvermos as pessoas para Deus. A parte central do Advento da Comunidade Filhos de Sião é devolver as pessoas para o plano de Deus. Devolver os nossos irmãos, os da nossa casa, os nossos amigos, isso a partir da minha vida. É tempo de aprendermos a acolher o outro. O Advento é um caminho que vai ser trilhado com o outro. Não temer de dizer para as pessoas o que Deus quer para elas.

A quem nós mais precisamos dar alegria, nós vamos dar a partir da vivência deste Advento.

“Envia-me para junto de ti.” (Fm 1,12)

Contexto:

Filêmon morava em Colossos, segundo as informações de Cl 4,7-9. Em sua casa, reúne-se uma igreja doméstica. Era uma pessoa com certo nível de vida, pois além de ter uma casa mais ampla para acolher a comunidade, possuía pelo menos um escravo doméstico que se chamava Onésimo. Nas diversas partes do Império, a situação dos escravos variava, dependendo dos trabalhos nos quais estavam empregados. O escravo podia esperar um dia conseguir a sua libertação. Havia até normas para o seu resgate. O preço para o resgate, uma vez fixado, não poderia ser alterado e o tempo para a libertação não podia ser aumentado.

Onésimo fugiu da casa de Filêmon e buscou abrigo junto a Paulo, enquanto este se encontrava preso, provavelmente em Éfeso. Paulo o converte e decide devolvê-lo a Filêmon. Então, escreve-lhe um bilhete para que o acolha como irmão.

Onésimo: Escravo, fugitivo e ladrão.

 

Primeira Semana: Ninguém é maior que os outros.

Assim sendo, Paulo abre mão de qualquer superioridade em relação a Filêmon. Vale a pena examinar o modo como trata as pessoas nessa carta. Em primeiro lugar, Filêmon, o principal destinatário, e o primeiro interessado na questão. Paulo o chama de “amigo e colaborador” (v.1), de “irmão” (vv.7.20) e de “irmão na fé” (v.17). Talvez esteja aqui o motivo pelo qual Paulo, ao contrário da maioria das suas cartas, não se apresenta como Apóstolo. A condição de apóstolo o colocaria acima dos demais cristãos. A qualificação de Apóstolo o colocaria hierarquicamente acima dos demais cristãos. Na qualidade de Apóstolo, ele poderia dar ordens. Prefere exatamente suplicar o que faz um irmão a outro irmão. Tenho toda liberdade em Cristo para ordenar o que deve fazer, mas prefiro pedir por amor (v.8).

Meus irmãos, neste início de Retiro Espiritual que nos prepara para acolhermos o Salvador, Jesus Cristo, comecemos olhando para quem o Senhor colocou junto de nós. O convite é para crescermos como uma família de irmãos, onde todos se sintam amados e tenham condições de amar. Quando falamos dos que estão juntos de nós, não me refiro somente aos irmãos de caminhada, mas todos, todos aqueles que o Senhor tem colocado no nosso convívio, seja permanente ou passageiro. Não fechemos os olhos para as oportunidades que são apresentadas para a prática do amor. O amor nos coloca em igualdade com todos. O convite não é para vivermos como ilhas, isolados, mas como família, onde ninguém é maior do que o outro. Exercitemos o amor fraterno em nosso meio.

 

Segunda Semana: Onésimo: as entranhas de Paulo. O que temos gerado em nós?

Destaque especial merece ser dado a pessoa de Onésimo. Quando este fugiu da casa de Filêmon, era tido como simples escravo. Ao enviá-lo de volta a Filêmon, Paulo garante que Onésimo é o “filho que eu gerei na prisão” (v.10). Para Paulo, todos que por meio da sua ação evangelizadora aderem a Jesus Cristo são seus filhos queridos e ele se considerava como pai. Paulo sente uma trepidação especial por Onésimo, identificando-o dessa forma “ele é como se fosse meu próprio coração” (v.12). Essa expressão revela a profundidade do amor que Paulo tinha pelo fruto gerado.

São Paulo considerava-se preso em Cristo. O cárcere não o desanimou e nem lhe impediu de continuar a anunciar o que tinha experimentado. Se tornou na prisão um gerador de uma vida nova.

Estamos presos em Jesus Cristo? Por causa Dele, tudo perdemos? Por causa Dele, o mundo nos odeia a ponto de nos lançar nos cárceres? Paremos um pouco durante este tempo para enxergamos o que tem nos prendido. Onde estamos presos? Nas nossas prisões, estamos gerando vida ou morte?

Será uma semana fecunda, um tempo favorável para nos unirmos ao Senhor e deixarmos que nele nos sintamos cada vez mais presos. Presos por causa Dele e libertos para gerarmos vidas.

 

Terceira Semana: Somos devedores uns dos outros (v. 16 – 20)

O amor é mais forte do que a Lei. Confiando nisso, Paulo devolve Onésimo na qualidade de “irmão querido” tanto para ele quanto para Filêmon. Completa-se dessa forma o círculo de fraternidade. Filêmon é chamado de “amigo” e “irmão”. Para Paulo, Onésimo e Filêmon são iguais, recebendo o mesmo afeto e sendo tratados como irmãos. A paternidade de Paulo em relação a Onésimo se preocupa também com eventuais danos causados. Onésimo poderá ter levado algo de valor do seu ex patrão. E Paulo avisa a Filêmon que toda dívida será paga, mesmo Filêmon devendo a vida a Paulo. Mas aqui Paulo não está cobrando alguma coisa de Filêmon . O que ele tá querendo dizer é que, quando partilhamos o que temos e o que somos, tornamo-nos devedores uns dos outros. O amor, a fraternidade e a igualdade são os valores que regem a vida e as relações de quem deu sua adesão ao Senhor Jesus.

Agora temos a grande oportunidade de exercitar de forma bastante concreta nosso amor pelo outro. Estamos na semana que somos convidados ao despojamento. É hora de nos esvaziarmos, limparmos nosso coração, buscar o sacramento da confissão, encontrarmos o irmão que nos feriu ou que foi ferido por nós. É tempo de abrirmos as portas e deixarmos que o vento novo do Espírito Santo entre em nossa vida interior e nos ajude a servir aos que precisam de nós. Tempo de despojarmos o que tá cheio em nós, seja material ou espiritual. Não retenha! O que sobra em você pode faltar no seu irmão!

 

Quarta Semana: Acolhendo o dom de Deus. Abrindo mão do poder (v . 8 – 10)

“Tenho toda a liberdade em Cristo para ordenar o que deve fazer, mas prefiro pedir por amor. Quem faz esse pedido sou eu, o velho Paulo, agora também prisioneiro de Jesus Cristo. Peço-lhe em favor de Onésimo, o filho que gerei na prisão. Paulo alerta para não ficarmos presos ao poder, aos cargos e até mesmo aos talentos que o Senhor nos confiou. O poder é um engano e um modo de ocultar a própria fraqueza. No fundo, quem se agarra ao poder é um fraco que procura, de todos os modos, se mostrar forte. Paulo prefere apresentar-se como é: velho e prisioneiro. Paulo encontra força na sua fraqueza (2 Coríntios 12, 10b). Ele descobriu uma força maior que o poder de mandar e dominar sobre as pessoas: o poder do amor que transforma todo tipo de relação. O amor gera a relação de irmão x irmão.

Vamos retornar para adorar. Deixemos tudo que nos distancia daquele que quis nos chamar para estar com Ele. Arranquemos dos nossos corações tudo o que nos pesa, nos machuca, nos oprime, nos entristece e nos torna indiferente uns com os outros. É hora de ornar nosso coração e prepararmos um lugar especial para que a luz nasça e para que a vida gere vida em nós e assim possamos também com o dom Filhos de Sião gerarmos vidas neste mundo que tem banido Deus. É tempo de acolher o Rei, que quis nascer pequeno e pobre, porque sabia do tamanho do nosso coração. É no nosso coração que ele quer nascer. É na nossa vida que Ele quer brilhar como Luz para todos os povos.

Desejo a todos os um Feliz Retiro!

Francisco Adriano Silva
Cofundador, Consagrado na Comunidade de Vida com Promessas Definitivas

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