Formação

Bem-aventurada Virgem Filha de Sião: Perfeito Louvor a Deus

Quando os discípulos de Jesus voltam da missão transbordantes de alegria, Jesus reza ao Pai exultante de alegria no Espírito Santo, dizendo:  “Pai, Senhor do Céu e da Terra, eu te dou graças porque escondestes essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelastes aos pequeninos” (Lc 10,21). Foi numa mulher pequena, serva e humilde que Deus realizou grandes coisas. Maria Santíssima, a mulher do perfeito louvor.

O momento da encarnação já um grande momento de louvor vivido por Maria, quando é saudada pelo Anjo Gabriel com a seguinte saudação: “Alegra-te!” Esta é uma saudação jubilosa, porque também poderia soar uma estranheza, sobretudo, porque conforme a sensibilidade judaica era mal visto entre os rabinos saudar uma mulher, haja vista que dirigir a palavra a uma mulher era considerado algo impuro. E Deus, no desejo de fazer-se cumprir a Sua vontade, envia seu anjo que era enviado somente para as grandes decisões e para anunciar o futuro. A saudação configura-se enquanto um convite a alegria escatológica. O louvor entra da parte de Deus que enche aquele lugar da sua presença através do anjo. A alegria de Deus já tomava o coração de Maria. A sua graça já ia tornando Maria cheia de graça para poder dizer SIM ao plano de Deus.

Maria, a cheia de graças!

Maria é definida por Deus assim: A cheia de graças! (cf. Lc 1,28). Uma saudação tão nova e tão estranha que a deixou perturbada. Por conseguinte, o anjo a responde que tudo acontecerá por obra do Espírito Santo, e ela, por ser uma mulher cheia de Deus, madura e  conhecedora da lei, acolhe a mensagem e num ato de humildade responde ao anjo: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (cf. Lc 1, 38). A resposta de Maria uniu o céu e a terra num profundo louvor. A sua resposta já foi um ato de louvor a Deus. Foi o momento em que Maria acolheu toda a humanidade que estava pesada pelo fardo do NÃO de Eva, e ela eleva a humanidade com seu SIM. Maria, no entanto, já faz seu ato de louvor, porque deixou a força de Deus pela ação do Espírito Santo lhe encher de toda graça. Tudo que era seu passou a ser parte de Deus. Deus a tomou para si, e lhe cumulou com seus dons para que pudesse se cumprir a vontade Dele.

Nesse sentido, na resposta decidida que Maria dá ao anjo, ela assume de forma livre e determinada, com uma fé ativa e obediente. Maria experimentava da ação poderosa de Deus em sua vida, por isso que sua vida já se transformava num grande louvor a Deus. Seu SIM já foi um louvor que alegrou o Céu e a Terra. Na sua resposta, Maria se envolveu de corpo e alma, tornando-se “Serva”, um título que Maria dá a si mesma não como marca da condição social (escrava), mas espiritual, como auto disposição para Deus. Com o seu “fiat” total à palavra, Maria se mostra a primeira e a mais perfeita discípula de Cristo. Antes de gerar o verbo no seio, Maria o gerou no coração (Paulo VI, Marialis Cultus, 35 e Redemptoris Mater, 20).

Maria foi levada pelo amor!

Assim sendo, tendo acolhido todo o dom de Deus, Maria com o coração cheio de louvor por poder colaborar com o plano da salvação de toda a humanidade e cheia de gratidão parte para uma região montanhosa para cuidar da sua prima Isabel. A graça que invadia o seu coração era tão grande, que tudo que ela tinha vivido era preciso ser transformado em doação, em oferta de vida. Maria quando chega na casa de Isabel, não é necessário dizer o que tinha acontecido. O que Deus a denominou por meio do anjo, Isabel revelou quando a avistou. O louvor que brotou dos lábios de Maria e Isabel foi somente para engrandecer o Senhor: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (cf. Lc 1,42).

Maria foi levada pelo amor, seja ao filho que trazia no ventre, seja à prima em necessidade, seja simplesmente à vontade de Deus. A gratidão que invadia seu coração a fez partir. Maria foi apressadamente. Essa pressa é sinal de solicitude e disponibilidade. Na visitação, a Virgem mostra o que significa ser uma serva em ação. Cabe a nós perguntarmos o que significa essa atitude para uma nova evangelização. O louvor que encheu o coração de Maria a fez partir apressadamente para uma região montanhosa simplesmente porque ela “acreditou”. Portanto, será que nós acreditamos o suficiente para partirmos em missão? Somente um coração profundamente grato entende as necessidades do povo e no louvor consegue partir para onde Deus os enviar.

Magnificat, o mais perfeito louvor!

Então, Maria, transbordante da ação de Deus em sua vida, canta um hino de louvor, engradecendo Deus na sua alma. O Magnificat é um mosaico de textos escritos com as lágrimas dos pobres de Israel: todas as humilhações, os desprezos e as opressões que suportaram os pobres da parte dos ricos, Maria os endereça, em forma de hino e louvor, ao Deus que faz maravilhas, ao vingador dos oprimidos. Façamos também nós o nosso louvor por todas as maravilhas que o Senhor tem feito em nós e por nós. Aprendamos com a Virgem Filha de Sião a louvar a Deus, não porque temos méritos, mas porque grandes coisas Ele faz em nosso favor.

 

Francisco Adriano Silva
Cofundador e Consagrado na Comunidade de Vida com Promessas Definitivas

Conheça nossos autores

Abrir bate-papo
Olá
Podemos ajudá-lo?