Formação

Cenáculo Celebrativo Santa Teresinha

Neste mês de outubro, celebramos nossos amigos e intercessores do céu – São Francisco e Santa Teresinha. Sob a luz dos nossos Estatutos, vamos colher o que representa cada um dos baluartes da Comunidade Filhos de Sião: São Camilo – que orienta a vida missionária; São Francisco – que nos inspira o Carisma; e Santa Teresinha – que nos ensina a pobreza.

Um auxílio para chegar no Céu

Os Estatutos, tratando acerca dos nossos baluartes, expressa uma ordem para nós: manter um relacionamento de intimidade com eles, como amigos, como aqueles que nos auxiliarão a chegar no Céu, ao grande festim.

Escutá-los é ouvir, através de suas histórias e vidas, a voz de Deus. São luzes para nós, capazes de nos ensinar – além do que já foi citado – a viver a intimidade com Deus, a “entrar nos aposentos do Rei”; o amor à Palavra de Deus; a radicalidade no caminho e na luta rumo à conversão; o repúdio ao pecado – isto é, ter nojo do pecado! –; o amor à Santa Mãe Igreja, bem como aos pobres e necessitados.

O filho de Sião deve honrar os santos baluartes, celebrando com entusiasmo suas festas, também a Virgem de Sião, e o padroeiro da Paróquia na qual se encontra.

História de uma baluarte

Neste ano a Igreja celebra 150 anos do nascimento de Santa Teresinha. Também em 2023, celebra-se 100 anos de sua beatificação, e em 2025 será o centenário de sua canonização! Por essa razão, ouviremos falar bastante dela até lá.

Recordemos que a pequena Teresa de Lisieux é natural da França, nascendo em 1873. Embora frágil e debilitada, já aos dois anos aprendeu rezar e expressava o desejo de ser religiosa. Podemos refletir diante desse fato: em nosso meio há tantas crianças… Quantos dos nossos filhos já expressam o mesmo desejo? Aos cinco anos, ela perdeu sua mãe e sofreu muito. Mais tarde, ficou doente, e foi curada pelo “sorriso” de Nossa Senhora numa visão.

Hora de crescer

Com muito zelo, Teresinha se preparou para sua Primeira Comunhão: “o primeiro beijo em sua alma”. Tinha como livro de cabeceira a Imitação de Cristo. E aos catorze anos, na noite de Natal, caiu em si – era hora de crescer! Sem, contudo, deixar de ser criança aos olhos do Senhor. Na vivência que ela teve em seu encontro pessoal com Cristo, compreendeu que a Sua vontade era que estivesse unida a Ele, e a felicidade consiste em estar com Ele, em viver com Ele. Assim, enxergou o Senhor com as comportas abertas, disposto a se derramar de Amor sobre cada um: a vontade divina é se unir a nós.

Certo dia, ao ver uma estampa de Jesus crucificado, Teresinha percebeu que havia sangue sendo derramado do corpo do Senhor. E ela meditou consigo: ninguém junta esse amor que se derrama? Assim como São Francisco, ela também entendeu que o amor não era amado. E se questionava como recolher aquele amor para dar às almas.

Irmão, tantas vezes queremos ouvir a Deus de qualquer jeito, resolver tudo à nossa maneira… No entanto, nossa baluarte encontrava suas respostas na Palavra, na oração e nas reflexões que fazia. “Deus não resiste a uma alma que se apresenta na pobreza da fé”, concluiu Santa Teresinha.

Afinal, como Teresinha viveu a pobreza?

Ao morrer, Santa Teresinha “fez” muitos milagres. Em seus escritos, aparentemente sem valor – alguns cadernos, cartas e poesias –, ao serem publicados, foram incontáveis as edições. Mesmo havendo tantos escritores famosos e prestigiados em seu tempo, foi a sua pequenez que alcançou as almas. Eis aí a sua pobreza! Ainda que “nada houvesse para escrever sobre ela após sua morte”, como imaginou uma de suas irmãs do Carmelo. A sua pobreza esteve junto à sua fé, à sua pequenez, à sua incapacidade de fazer grandes renúncias e mortificações.

Ela escolheu o caminho da humildade, da confiança que gerou o abandono nas mãos de Deus. Os humildes são os queridos do Senhor. Ela não procurou o heroísmo, a prepotência… Entendeu que Deus é Pai! E, portanto, não negaria nada à Sua filhinha.

Tanto é verdade, que em seus votos levou junto de si um bilhete que dizia: “Ó Jesus, fazei que ninguém se ocupe de mim… Fazei que ninguém se ocupe de mim! Que eu seja pisada e esquecida, como um grãozinho de areia”. A maior graça que Deus lhe fez foi apresentar o quanto ela era pequena e insuficiente, e que precisava se lançar em Suas mãos. Da mesma forma, o Senhor nos escolheu porque somos insuficientes. Queira Deus que nós sejamos também pobres na fé, a exemplo de Santa Teresinha!

Sendo assim, ela só podia se abandonar em Deus, viver nessa fornalha de amor. Ele se curva para ela, a fim de lhe ensinar os segredos do amor, o caminho do abandono da criança que “adormece, sem medo, nos braços do pai”.

O abandono foi a bússola de Teresinha. Ela desejou ardentemente o cumprimento da vontade de Deus, e para tanto, abandonou-se aos braços do Pai!

O total abandono

Para Teresinha, o Menino Jesus era a total pobreza: nasceu num estábulo, não tinha casa, nem roupas, talvez nem comida… Naquele presépio, ela conseguiu enxergar a pobreza, o total abandono. Por isso, ela se debruçou sobre aquele Menino, dedicando-lhe todo amor. O próprio Jesus abdicou de Sua realeza, Sua natureza divina, para viver numa realidade pobre e humilde.

Além disso, perceberemos que Deus não resiste às mãos vazias: pobres não têm nada a dar. Ora, o que mais o Senhor pode fazer senão enchê-las?

Logo, é necessário ser pobre e necessitado! É necessário mostrar a nossa pobreza a Ele, pois é isso que O atrairá a nós. Mostre ao Senhor o seu coração pobre, sua pobreza na fé. Diminua de tamanho! Você não precisa do melhor carro, dos mais novo celular, das roupas de marca, do primeiro lugar… Como disse São João: “que Ele cresça, e eu diminua” (cf. Jo 3, 30).

Jogue fora também o orgulho, o vitimismo, o desejo de ser visto, aplaudido, elogiado… O que Santa Teresinha nos ensina é jogar tudo isso fora!

Dependência e humildade

O Senhor se derrama de puro amor, Ele quer se unir a nós, e para isso é preciso se fazer pequeno: quem quiser entrar no reino dos Céus faça-se como uma criança (cf. Mt 18, 3). Não é pelo fato de ser pequeno, mas porque a criança vive na dependência do seu pai!

Em vez de crescer, você precisa diminuir! Exercitando a virtude da humildade. Se tem três empregos, fique apenas com um. Se tem muitos bens, divida. O que nos rege é nossa vida nas mãos de Deus, e Ele dá cem vezes mais! É impressionante e inexplicável a ação divina em nossas vidas. Não tenhamos medo de nos abandonar nas mãos de Deus, nem medo de viver a vida que Ele tem para nós.

Ou seja, diminuir de tamanho é viver a pobreza da fé, é viver da fé. Ao assumirmos essa posição, passamos a viver a virtude teologal da fé. Não esqueça que ninguém alcança a santidade se não viver neste mundo as virtudes teologais!

Por que tornar-se criança?

A criança acredita em seus pais. Embora ela nada faça para ser amada, eles a amam. Os pais são assim! Querem lhes dar o melhor. Simplesmente, o filho só precisa existir. Basta a pequenez na fé, que desembocará em outra virtude: a esperança – o Senhor fará o necessário no tempo certo, ao modo dEle!

Se Deus é amor, Ele quer dar-se. Assim, a sua miséria atrai esse amor. Além do mais, a pobreza e o abandono acontecem na alma a partir da esperança. Ele não vai abandonar você! Ele nunca volta atrás.

Tudo esperar no Senhor, pois a esperança tudo alcança. Viva a humildade no seu dia a dia, como por exemplo, calando. Diante de algumas coisas são preferíveis ficar em silêncio, não precisa ter resposta para tudo, ou ficar se desculpando.

Afinal, onde Deus encontra a humildade, os pobres de espírito? Quem é “rico” não se abaixa, tem tudo à sua altura. E Ele só tem encontrado ricos… Então, Teresinha decidiu se ofertar como vítima, de mãos vazias, aceitando todas as humilhações, para saciar a sede de Deus de se derramar de amor pelos pobres.

É preciso diminuir de tamanho

Como nós cantamos: “o que agrada a Deus em minha pequena alma, é que eu ame minha pequenez e minha pobreza”. Com Santa Teresinha compreendemos o valor de ser pobre.

Para ser santo, é preciso diminuir de tamanho. Vejamos que a criança nunca paga nada, no entanto, tudo recebe! Creia como o filho pródigo, que até pensou em negociar sua volta para a casa paterna… Mas mal sabia aquele jovem que o pai lhe esperava ansioso para dar roupas novas, calçados, anel, e até uma festa (cf. Lc 15, 11s).

Em vista disso, a pequena Teresinha se encheu do amor que vinha do próprio Amor. Começou amando o Menino pobre, e terminou com a Sagrada Face: começa como criança e termina crucificada com Cristo.

Assim, cada um tem o seu caminho. E a receita básica é o que nos ensina nossa baluarte: as virtudes teologais. Exercitemos a humildade, pois não é uma pobreza qualquer, mas da fé, que quer a viver a vontade de Deus.

Que Santa Teresinha interceda por você!

 

Vander Lúcia Menezes Farias
Fundadora, Consagrada na Comunidade de Vida com Promessas Definitivas

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