Hoje é a noite em que a Comunidade inicia um tempo novo para nós os Filhos de Sião.
Tudo acontece na Páscoa, no tempo em que Jesus dá a nova vida a todos os seres, viventes e não viventes, porque Jesus desceu à mansão dos mortos para dar vida aos que estavam presos na morte. A Comunidade nos convidou, durante a Quaresma, a fazermos um retiro conduzido pelo Espírito Santo no deserto, travessia.
A travessia pascal
É importante trazer nosso olhar para entrar na narrativa do Evangelho de São João, quando ele começa no domingo, dizendo que foi no primeiro dia da semana, na madrugada. É nesse tempo que nós saímos de uma travessia e entramos em outra. A travessia agora é um tempo que Jesus oferece a todos os cristãos batizados: a Páscoa. Fizemos uma passagem da morte para a vida, a ressurreição de Jesus.
Jesus ressuscitou: essa é a maior alegria para o cristão, para o consagrado, batizado e para a Igreja. Jesus venceu a morte, uma morte distante de nós. Jesus venceu a nossa morte, venceu tudo o que respira morte dentro de nós. Ele entrou na mansão da morte como dono e soberano, o vencedor. É assim que Jesus entra nas nossas vidas. Jesus entra para dar luz e vida e inaugura um tempo novo; pós, é recriada a nova humanidade. Jesus possibilita ao homem a vida eterna.
Por que a área mais atingida da nossa vida é o chamado de Deus? Por que a área frágil é o chamado de Deus? Não deixamos outra coisa, a não ser o chamado de Deus, o que era para ser algo fundamental da minha vida. Por que o chamado não se encarna e se torna vida em você? Por que nós não somos testemunhos dessa voz que falou lá no início e é uma voz que não muda?
Quando Jesus chamou a pecadora, que foi jogada aos pés de Jesus, Ele disse para aquela mulher: “Quem te condenou?”. E ela disse: “Ninguém, Senhor”. Nessa hora, aquela mulher reconhece Jesus como Senhor! Ele não mudou o discurso para essa mulher.
Fragilizamos nosso chamado porque não acreditamos em um tempo novo
O que nos torna dignos é a graça que se vive para o chamado. É precioso trabalhar, cuidar da família, ter amizades, mas o lado frágil é a graça que vivemos. Deixemos o Ressuscitado nos libertar dos propósitos de morte que temos lançado sobre nós mesmos. Nem tudo que é bom é de Deus, e nem tudo que dá certo é da vontade de Deus. A vontade de Deus não se expressa assim.
Quando as coisas saírem do sacrifício da cruz, é hora de gritarmos para trás e não pensarmos como humanos. Jesus entra para encontrar, na mansão dos mortos, Adão, que estava escondido, porque foi assim a última narrativa da vida de Adão. Se esconder é sair da intimidade com Deus. Mas Jesus vai até Adão, pega nos pulsos e o arranca daquele lugar.
Jesus faz uma travessia na região da morte, mas Ele não para lá, Ele atravessa, porque Jesus gosta de movimento. Quando a sua vida estiver parada, ela já está sem Jesus. Deixemos Jesus ser o dono das nossas vidas. Acreditemos no novo de Deus, no que Deus quer fazer nas nossas vidas. Ele veio para nós mesmos, pois somos os necessitados. O que faz você precisar de Deus são suas fraquezas.
A travessia pascal dos Filhos de Sião
Na quarta-feira das oitavas da Páscoa, também começamos uma travessia de acolhida dos irmãos das missões que ingressam na Comunidade, renovam e fazem promessas. Estivemos na cidade de Itarema. Que graça iniciar naquela cidade, ouvindo o acolhimento materno do Pe. Edson. O Padre Edson olhava para nós com um carinho e um cuidado tão grandes que sentíamos suas palavras banharem nossa alma. Eu sentia que aquele momento era Jesus nos consolando e confirmando toda essa obra de Deus. Ele, através da Palavra, nos fazia entender o que pode nos fazer decepcionar na caminhada e nos encorajava. Ele deu ênfase à nossa resposta quando nos apresentamos à Igreja na hora das promessas: “Teu grito rompeu minha surdez, eis-me aqui, Senhor.”
Quinta-feira, nossa travessia chega à cidade de Acaraú. Fomos acolhidos pelo Padre João, que, em sua homilia, disse algo muito marcante. Ele disse que o Mons. Waldir não teria outro nome melhor para ser dado a nós do que Filhos de Sião, e ainda continuou dizendo que Maria não era a filha de Sião sozinha, mas todo Israel. Isso ele falava da nossa vocação para toda a Igreja. Assim eu entendi: confirmação pela própria Igreja.
Na sexta, a cidade de Bela Cruz. Padre Eudes já é um sacerdote amigo da Comunidade. Já recebeu nossas promessas quando era pároco de Acaraú, então sua maneira de nos acolher, já na calçada da Igreja, nos fazia viver aquela Eucaristia com o coração cheio de paz.
Nas suas palavras, ele nos fazia entender que somos testemunhas do que vimos. Ver, aqui, significa experimentar, na nossa carne, a ação do Senhor ressuscitado na nossa vida. Foi o mandato à missão: testemunhar a nossa experiência.
No sábado, aqui no Marco, casa mãe, nascente do carisma. Sempre um momento esperado. Eu, particularmente, muito nervoso. Mas ouvir o Mons. Timbó na nossa missa é ouvir alguém que nos assiste, não se mostra, mas assiste. Ele nos vê. Ele sabe de nós. Nas suas palavras, na homilia, nos fazia entender que não somos testemunhas de uma ideia, de uma filosofia apenas, mas somos testemunhas de uma pessoa que ressuscitou e vive no meio de nós. Momento marcante que sempre acho é a cerimônia dos discípulos e postulantes, logo após a bênção final da Santa Missa. Como aquele momento me edifica. Como me sinto em casa.
Concluo essa travessia na Festa da Misericórdia, domingo. Na homilia, em que a Comunidade está como responsável pela liturgia, Padre Nonato falou de maneira profética sobre a falta que Jesus sentiu de Tomé e voltou para que Tomé também pudesse fazer a experiência de tocá-Lo. Mas alertou ainda do perigo de viver fora da Comunidade. Quem está fora não acredita mais na Comunidade e, por isso, tampouco se importa com o que está acontecendo nela.
Formação Comunitária
Um dos momentos marcantes do Cenáculo Pascal foi a apresentação dos formadores comunitários. Mais do que uma função, este serviço revela o coração da Comunidade que cuida, acompanha e forma. São homens e mulheres chamados a gerar vida, sustentando os irmãos na fidelidade ao chamado, sendo presença, escuta e direção no caminho vocacional.
Missão Marco – CE: Postulantes – Pedro Allef, Discípulo Menor – Gessyane Neves, Discípulo Maior I – Rejane Rios, Discípulo Maior II – Gláucia Rocha, Célula Universitária – Edilene Basílio, Consagrados I – Julineide Mendes, Consagrados II – Cileya de Fátima, Consagrados Definitivos – Adriano Silva e Formadora Comunidade de Vida: Marília Ivina.
Missão Acaraú – CE: Célula Consagrados: Wilson Gustavo e Formador Comunidade de Vida: Paulo Wesley.
Missão Bela Cruz – CE: Postulantes, Discípulo Menor e Formador da Comunidade de Vida – Fábio Nascimento, Discípulo Maior I – Gleuda Rocha, Discípulo Maior II – Carmem Lúcia e Consagrados – Marciele Silva
Missão Porto dos Barcos/Itarema – CE: Postulantes e Discípulo Menor – Jorrana Daisa, Discípulos Maiores, Consagrados e Formador Comunidade de Vida – Marcos Henrique.
Francisco Adriano Silva
Cofundador e Formador Geral da Comunidade Filhos de Sião