Formação

Retiro de Advento 2025 – Atravessar para outra margem: A graça que vem de Deus

4ª Semana

A graça que vem de Deus

Contemplamos a principal mensagem deste episódio da tempestade acalmada, situada na pergunta que Jesus faz aos discípulos: “Por que estais tão apavorados? Ainda não tendes fé?” (Mc. 4,40)

Jesus opõe a fé não à descrença, mas ao medo, ao pavor. Mais tarde, Ele dirá ao pai da menina ameaçada de morte: “Não tema, apenas tenha fé!” (Mc 5,36). A fé é confiança, certeza de que Deus cuida de suas criaturas, especialmente daquelas que representam sua imagem e semelhança.

Estamos diante da graça de Deus: a Salvação. Jesus, o Salvador enviado pelo Pai, nasce em nosso coração e em nossas vidas. É a graça de Deus para todos os homens. Jesus nasce na tempestade da nossa vida e do mundo atual, tão indiferente ao amor, ao perdão e à acolhida. Jesus inaugura um tempo novo e faz ressurgir um povo novo, nascido do Espírito Santo. O nascimento de Jesus é o grande acontecimento da humanidade, que outrora vivia sob o jugo do pecado e da condenação. É uma nova manhã. Passamos a noite enfrentando tempestades e medo, mas chegamos à outra margem. Aqui, do outro lado, Jesus continua sua obra redentora em cada um de nós. Eis que tudo era velho, e agora se faz novo.

Como os discípulos, depois de estarmos à beira da tragédia, Jesus nos pede mais fé e menos medo.

É curioso que o texto de Marcos termine com a reação dos companheiros de Jesus: diante da calmaria serena em que o lago se transformou, eles, cheios de medo, diziam entre si: “Quem é esse a quem até o vento e o lago obedecem?” (Mc, 4,41) Parece que, diante do prodígio da ação de Jesus, o sentimento de medo ainda é maior.

Para refletir:

  • Por que tememos a graça que vem de Deus?
  • Por que ainda nos falta fé?

Talvez seja porque a fé exige uma resposta de conversão. A fé exige decisão. Ela nos coloca de pé, dispostos a seguir e confiar que Deus continua cuidando e realizando prodígios no meio do seu povo. Deus faz a sua parte. E nós? O que falta para vivermos como irmãos e irmãs que lutam por uma vida de amor e perdão? O que falta para vivermos a vida fraterna sem temer nossas pequenas renúncias?

Nesse novo tempo, inspirados pelo evangelista Marcos, o Senhor quer que saiamos das nossas margens e passemos para a outra margem. Jesus quer que, como homens e mulheres libertados, também animados pela fé e pela prova da tempestade, possamos levar a libertação aos que estão na outra margem.

É preciso confiar em Jesus para que passemos das nossas fronteiras habituais. O convite de Jesus é para nos afastarmos das margens seguras e cansativas e, pela fé, termos a coragem de partir para a outra margem, estranha e desconhecida, de um povo que sofre por não conhecer o amor verdadeiro. Precisamos chegar à outra margem para dizer ao homem que, na vida com Deus, há espaço para ele. Se não houver espaço, Jesus abrirá um novo espaço, porque Ele abriu para cada um de nós. Não sejamos resistentes em atravessar para a outra margem. Jesus é o Senhor sobre todas as tempestades e deixou claro para os discípulos que iria atravessar, quer quisessem ou não. Não tenhamos medo dos ventos que sopram contra nossa travessia. Jesus está entre nós. Alguém na outra margem espera que atravessemos. Se os discípulos conseguiram, nós também conseguiremos.

Que tenhamos um Natal feliz por termos feito a travessia, mesmo em meio à tempestade, confiando que Jesus é o Senhor e que pode acalmar todas as coisas.

 

Francisco Adriano Silva
Cofundador e Formador Geral da Comunidade Filhos de Sião

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