Formação

Retiro de Advento 2025 – Atravessar para outra margem: Passemos para o outro lado

1ª Semana

Passemos para o outro lado

Nesse dia, quando chegou a tarde, Jesus disse a seus discípulos: “Vamos para o outro lado do mar.” Então os discípulos deixaram a multidão e o levaram na barca, onde Jesus já se encontrava. E outras barcas estavam com ele. Começou a soprar um vento muito forte, e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já estava se enchendo de água. Jesus estava na parte de trás da barca, dormindo com a cabeça num travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, não te importa que nós morramos?”. Então Jesus se levantou, ameaçou o vento e disse ao mar: “Cale-se! Acalme-se!” O vento parou e tudo ficou calmo. Depois Jesus perguntou aos discípulos: “Por que vocês são tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?” Os discípulos ficaram cheios de medo e diziam uns aos outros: “Quem é esse homem, a quem até o vento e o mar obedecem?” (Mc 4,35-41)

Jesus anuncia as parábolas com o texto que acabamos de ouvir: “Quando chegou a tarde, Jesus disse a seus discípulos: ‘Vamos para o outro lado do mar.’ Então os discípulos deixaram a multidão e o levaram na barca, onde Jesus já se encontrava.” (Mc4,35-36) Observemos nessa passagem que, mesmo estando o dia inteiro com o povo, Jesus continua a convidar os seus discípulos para caminhar. Essa vontade de Jesus de caminhar faz com que os seus cresçam na caminhada. Jesus não para! Ele entende e faz com que os seus compreendam que é preciso estar sempre a caminho. Nossa vida, meus irmãos, é este constante caminhar. Só não esqueçamos de uma coisa: quem nos convida a passar para a outra margem é Jesus; a iniciativa é dele. É com Ele que vamos para o outro lado.

Jesus pede para atravessar o mar, e eles deixam a multidão e o levam na barca. Podemos imaginar que Jesus está fatigado e merece descansar em um espaço com pessoas de confiança, aqueles que Ele havia escolhido. Lembremos que o mar simboliza o perigo, as ameaças à vida, tudo aquilo que destrói a firmeza e segurança da terra, especialmente quando se procura atravessá-lo em uma pequena barca. Há sempre a possibilidade de uma tormenta, do vento que ameace a estabilidade da barca, mas Jesus não se preocupa com isso. Veja que não é preocupação de Jesus permanecer em uma vida estável. Jesus gosta de movimento. Quanto a nós, queremos sempre uma vida sem desafios, uma vida que não exija esforço. Uma vida parada, sem contratempos e sem respostas. Preferimos ficar sempre anônimos, sem arriscar nosso bem-estar e, porque não dizer, sem nos aventurarmos para conhecer a outra margem.

Quando começa “a soprar um vento muito forte, e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já estava se enchendo de água” (Mc 4,37), os discípulos não podem acreditar que Jesus continue dormindo. Como é possível que Ele possa continuar dormindo sem se preocupar? Essa pergunta surge sempre quando nos encontramos em perigo ou ameaçados por alguma tempestade em nossa vida. Mas, quando começa a tormenta e o vento forte, podemos imaginar o assombro dos discípulos diante da situação. Jesus continua dormindo! Eles o acordam e, em suas palavras, há um protesto diante da sua aparente impassividade: “Mestre, não te importa que morramos?” (Mc4,38b)

A resposta de Jesus não são apenas palavras, mas uma atitude que manifesta seu domínio sobre o mar e tudo aquilo que simboliza perigo, até risco de morte. Ele reage com palavras claras: ameaça o vento e diz ao mar: “Cale-se! Acalme-se!”(Mc 4,39) O vento para, mas não acaba aqui: Jesus se dirige aos discípulos com palavras firmes, repreendendo seu medo e a sua falta de fé.

Para Refletir:

  • Quais são os mares que as diferentes comunidades estão atravessando hoje para cumprir a missão que Jesus lhes confia?
  • Quais são os ventos que ameaçam continuamente nossa barca para que fiquemos sempre na mesma margem, sem nos preocupar com os outros e sem ir ao desconhecido, ou como disse o Papa Francisco, ir às fronteiras?
  • Quais são as vozes que escuto e que me atraem para permanecer como uma pessoa aparentemente tranquila, sem movimento, sem estender seu olhar para além do conhecido e do seguro?

Desse modo, concluímos que, falta-nos fé e confiança Naquele que nos chama e nos convida a viver crendo e confiando nele, sem deixar que o medo nos aprisione.

Assim, oremos, nesta primeira semana do Advento, para que tenhamos coragem de entrar na barca de Jesus. Que nossos medos e desconfianças não nos impeçam de realizar essa travessia. O grande convite deste Advento é atravessar! Vamos chegar à outra margem. Que o Espírito Santo nos conduza neste tempo forte de preparação para a chegada daquele que há de vir.

 

Francisco Adriano Silva
Cofundador e Formador Geral da Comunidade Filhos de Sião

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