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Retiro Quaresmal 2024 – Segunda Semana: Maria se pôs a adorar a Vontade do Pai

Na adoração à santa vontade do Pai

 

A bem-aventurada Virgem progrediu no caminho da fé e conservou fielmente a sua união com o filho até a cruz. Manteve-se de pé, sofreu profundamente com seu Filho unigênito e, com ânimo materno, associou-se ao seu sacrifício, consentindo amorosamente à imolação da vítima por ela mesma gerada (Lumen Gentium, 58). Consentir na imolação da vítima gerada por ela equivale a imolar-se a si mesma.

Meus irmãos, paremos um pouco nossa leitura e rezemos com o que temos imolado. O que temos oferecido a Deus? Como nos tornamos vítimas para sermos imolados? Qual a força do amor em nós que nos leva a tamanho sacrifício? Lembremos que os sacrifícios não são ações que nos tornam virtuosos somente, ou que nos fazem sermos apresentados, mas sacrifícios por amor, sacrifício de quem ama a Deus e aos irmãos acima de tudo.

Ereta, junto à cruz de Jesus, a cabeça de Maria ficava no mesmo nível que a do filho reclinada. Os seus olhares se cruzavam. Jesus olhava para ela e por isso não sentiu necessidade de chamá-la pelo próprio nome, para que não ficasse diferente das outras mulheres que ali estavam. O olhar de Jesus é sempre para nos deixar igual a todos. Pelo seu olhar, Ele nos faz irmãos, todos unidos a Ele e por Ele. É deixando Jesus nos olhar e nos curar que vamos olhar para os outros e ver que nossas diferenças não nos separam, mas nos unem.

Contemplemos o olhar da Mãe e do Filho, um olhar que se vê uma alegria tremendamente sofrida que passava de um para o outro, alegria decorrente do fato de que doravante não opunham resistência alguma à dor, já não dispunham mais de defesas contra o sofrimento, deixavam-se inundar por Ele livremente.

A última coisa que fez na cruz, antes de submergir na escuridão da agonia e da morte, foi adorar amorosamente a Vontade do Pai. Também nisso Maria o acompanhou: também ela se pôs a adorar a Vontade do Pai, antes que uma tremenda solidão lhe descesse o coração, e a treva nela reinasse, como houve treva “sobre a face da terra” (cf. Mt 27,45). Desse modo, aquela solidão e aquela adoração permaneceram ali fixas, no centro da sua vida, até a morte, enquanto não chegou para ela a hora da ressurreição.

Irmãos, a Virgem Maria, a Filha de Sião, ensina-nos hoje que a adoração nos faz viver os tempos mais firmes. A adoração nos deixa fixos nos planos do Pai para nossas vidas. Adorar é amar, dizem nossos Estatutos; é permanecer com Ele. Mesmo que nossa vida não esteja colhendo as flores do jardim, não deixemos de adorar. A adoração faz com que Jesus e sua Vontade seja o centro de nossa vida. Adoremos, irmãos! Adoremos! São tantos os que querem adorar ou pelo menos sentir um coração adorador. Adoremos para permanecermos, mesmo na dor ou na solidão, mas adoremos aguardando a hora da ressurreição.

Adoremos Jesus na cruz, amando-o. Façamos nossa entrega de vida na certeza de nos conformarmos a Ele. Adoremos Jesus no Santíssimo Sacramento do altar, colocando-nos à disposição da sua Santa Vontade. Fixemos nosso olhar nele e deixemos que do cruzar dos olhares, Ele mesmo venha em favor das nossas necessidades e nos transforme no que Ele quer.

Pela adoração somos chamados a nascer de novo! Reza um salmo que a liturgia aplica a Maria: Todos ali nasceram … dir-se-á em Sião: Um e outro nela nasceram … Escrever-se-á no livro dos povos: “Lá este nasceu” (Sl 86,2ss). É verdade: todos nós nascemos lá; dir-se-á de Maria, a nova Sião: um e outro nasceram dela. No livro de Deus está escrito de mim, de ti, de cada um, mesmo de quem ainda não o sabe: “este ali nasceu!” Nascemos na fé e no sofrimento de Maria. Ela nos dá “de novo” à luz neste momento, por já nos ter dado à luz uma primeira vez na encarnação, quando deu ao mundo a própria “Palavra de Deus viva e eterna”, que é Cristo, na qual nascemos.

 

Sob a sombra da Cruz de Jesus e diante da presença daquela que acolhe com profunda dor a oferta do seu filho à Vontade do Pai, peçamos ao Espírito Santo que nos faça nascer de novo, que renove em nós o nosso chamado: o Carisma que nos foi depositado para o bem dos homens e da Igreja.

 

Francisco Adriano Silva
Cofundador e Consagrado na Comunidade de Vida com Promessas Definitivas 

 

Referências:
CATALAMESSA, Raniero. Nós pregamos Cristo Crucificado. Edições Loiola;
CATALAMESSA, Raniero. Pastores e pescadores. Editora Ave-Maria;
Estatutos Filhos de Sião;
Bíblia Ave-Maria.

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