“A esperança não engana”. A partir dessa inspiração o Papa Francisco traz toda uma proposta de vida e nos introduz no ano de graça, cheio de graça.
Muito belo quando São Paulo fala aos romanos: “5 E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6 Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo a seu tempo morreu pelos ímpios.” (Rm 5, 5-6)
Quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós
São Paulo é convicto desse amor. Ele é convicto de que seus pecados foram redimidos em Jesus. Essa convicção, de acordo com o Papa, aconteceu porque São Paulo teve um encontro pessoal com Jesus, que mudou a sua vida. Nada se compara a experiência que ele viveu com Jesus. A partir disso, ele considera todo o seu ser, que já estava formado e firme, o nada. O que se tornou grande nele foi o encontro com Jesus, portanto.
Às vezes, nós pensamos que quem nos liberta são as nossas virtudes, as orações, o serviço, mas não: nada disso nos liberta. Mas o Senhor quer que você volte para Ele. “Volta para me amar, para experimentar do meu amor, eu abri um caminho novo para você!”
Todo pecador foi liberto por Jesus na cruz!
O amor é Deus. Sendo assim, a esperança nasce de Deus e funda-se no amor que brota do coração de Jesus trespassado na cruz. Ela se aprofunda, firma-se, torna-se força nesse coração que foi aberto pela lança na cruz. Se nós não voltarmos para Jesus crucificado, não seremos ressuscitados. Não há alegria sem ressureição. Não há felicidade sem ressureição! Estamos no tempo de passar por um encontro pessoal e vivo com Jesus. Jesus, que é porta da salvação.
Olhando para Jesus crucificado, vamos refletir junto com o Papa Bento XVI. Ele pedia para que toda a Igreja olhasse para Cristo crucificado e assim enxergasse uma imagem perturbadora. Ele nos faz olhar os amores ágape e Eros. Jesus abriu os braços para nós. Já estávamos condenados sob o jugo da morte. Jesus nos libertou. A única coisa que satisfaz, acalma e mata a sede é o amor do Amado.
Deus nos deu o amor de seu Filho nos resgatando da morte. De fato, pode o homem dar algo a Deus de bom do que ele já não possuía? Só podemos dar algo de bom a Deus se nós já o possuímos. Só conseguimos dar a Deus o amor que vem dele.
Tudo que somos e possuímos é dom de Deus
Por isso que nós temos necessidade do Amor. Por isso que a humanidade procura ansiosamente esse Amor. Então, saímos procurando esse amor nas coisas, pessoas, poder, filhos, amigos, irmãos, marido, esposa, emprego, habilidades… Nós buscamos porque é esse o anseio do coração do homem: buscar o amor. Louvemos diariamente a Deus pela Comunidade Filhos de Sião que nos apresentou o Amor. A humanidade procura por este amor e ainda não o foi apresentado.
Bento XVI continua a nos dizer que o amor de Deus é também Eros. No Antigo Testamento, Deus mostra seu amor de predileção que transcende qualquer anseio da humanidade. Deus queria que o homem, no Antigo Testamento, se voltasse para Ele. Utilizou-se de todas as coisas para chegar ao coração do homem, e com a gente não foi diferente. Deus se utiliza de tudo!
Oseias foi o profeta que fez com que o homem amasse aquele que havia lhe traído. Deus disse para o profeta “ama de novo”. O Papa está clamando neste ano jubilar: “ama de novo”, “dar uma nova oportunidade”.
O amor Eros faz parte do amor de Deus. Amor que preenche o coração. Infelizmente, a humanidade está reduzida pelas mentiras do maligno e fechou-se ao amor de Deus na ilusão de uma possível autossuficiência. Quando a humanidade se reduz ao que o maligno oferece, ela se fecha ao amor de Deus. Mas Deus não se deu por vencido. Deus não aceita perder-nos. Ele se motiva com uma força redentora para salvar a cada um de nós. Esse é o amor, que foi trespassado na cruz, que atingiu o coração de Jesus, e que grita: “tenho sede”. Jesus provou da nossa vida ácida com aquele vinagre.
Olhe para aquele que transpassaram. A cruz revela a plenitude do amor de Deus, o poder do Amor de Deus, o poder irresistível da Misericórdia de Deus. Não rezemos sem olhar para o Cristo ressuscitado. Ele silenciou para amar, para salvar! Tudo está consumado porque a vontade do Pai se cumpriu nele.
Não percamos de vista a vontade de Deus!
Deus aceitou pagar um preço elevadíssimo com o sangue de seu Filho unigênito. Jesus só está na cruz porque Ele é um homem livre. Só dá a vida na Comunidade quem é livre e só é livre quem faz a experiência do amor de Deus. Sem experiência não há liberdade! Olhemos para o Cristo trespassado na Cruz. Ele é a verdade mais perturbadora do amor de Deus!
“Quando for levantado da terra, atrairei todos a mim”, disse Jesus. A resposta que o Senhor deseja ardentemente de nós é, antes de tudo, que acolhamos seu amor e nos deixemos atrair por Ele. Quem atrai você para a Comunidade é Jesus. Aceitar o Amor não é suficiente. É preciso corresponder e comprometer-se em transmitir aos outros. Jesus quer nos amar para que saibamos amar o outro.
Francisco Adriano Silva
Cofundador da Comunidade Filhos de Sião
