Formação

Sexta-feira Santa – A Cruz é Escola de Amor

“Ignorar a Paixão é negar Cristo. Não neguemos a Paixão de Cristo. Se queremos progredir no amor, meditemos constantemente a Paixão do Senhor. À medida que você contempla a Paixão, na mesma medida você é contemplado.”

A Comunidade Filhos de Sião traz, em seu teor de carisma, a espiritualidade adoradora. Assim sendo, deveríamos marcar presença em peso naquele Horto das Oliveiras para adorar Jesus. A minha espiritualidade é de adorador? Eu estou adorando?

Em nosso retiro de aprofundamento, a temática é: perder a vida para ganhar. Perder a vida é o mesmo que dizer anular-se. No entanto, estamos tão preocupados com o cancelamento da sociedade, com colegas, com o trabalho… E, na verdade, o que está preponderando em nós é a nossa vontade, o nosso eu. O aniquilamento exige sacrifício; não haverá renúncia sem oferta.

O sofrimento é, antes de tudo, um ato de amor

Sem sacrifício não existe vida interior. Para que tenhamos vida interior, são necessárias muitas renúncias, sacrificar-se, tendo em vista algo maior que se transforme em esperança. Mas o homem moderno foge do sacrifício, pois está dominado pelos meios sociais, buscando o prazer e fugindo da dor. Na teologia, isso se chama hedonismo.

Em contramão ao hedonismo vem o sacrifício, que é elevar ao sagrado, ou ofertar-se ao sagrado. O que é o nosso sacrifício? O que é uma vida de consagrado? Uma vida de consagrado só tem sentido se for uma vida ofertada. Caso contrário, não há sacrifício, e sua consagração torna-se ineficaz, pois você permanece inerte.

A mãe da humanidade não se sacrificou e não resistiu ao encanto da árvore da vida; ficou perdida após o encontro com a serpente. Com quem nós estamos dialogando? Quando dialogamos com o mundo, nos afastamos de Jesus. O sofrimento é, antes de tudo, um ato de amor. Este ato de amor nos conduz a uma escola chamada Cruz de Cristo. A cruz é encontro de amor e trono de misericórdia. A cruz não é peso quando se ama; logo, a cruz é caminho para se chegar a Jesus.

Conduzidos por João 1,29
Mesmo sem saber plenamente quem era Jesus, ele diz: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” Até então, todos os sacrifícios eram de animais; este será a vítima por excelência, que vai redimir todos os pecados da humanidade.

Conduzidos por Romanos 12,1
“Eu vos exorto a oferecer os vossos corpos em sacrifício.” No seio do carisma Filhos de Sião, somos chamados a louvar na dor; somos os adoradores que o Pai espera. O homem desconhece a beleza da vocação e, por isso, vive permanentemente um hedonismo dentro dela, sem compromisso, sem sacrifício, sem oferta, sem responsabilidade.

É no sofrimento que se prova o amor

O sacrifício não se mede pelo grau de dificuldade, mas pela totalidade do amor que nele está implicado. Adão e Eva não fizeram a renúncia de si e optaram por dar ouvidos à serpente. Quem ama Jesus Cristo ama também o sofrimento. Não sejamos centrados em nós mesmos.

Hoje é dia de oferta, entrega e imolação. Na Via-Sacra, em que Jesus era condenado e submetido, havia um grupo de mulheres, chamadas mulheres de Jerusalém, entre elas Verônica. Essas mulheres ficavam em determinados pontos onde o peso da cruz se tornava mais intenso, oferecendo uma bebida anestésica para aliviar a dor dos condenados. Com Jesus não foi diferente: ofereceram-lhe a bebida, mas Ele não quis tomá-la. Escolheu passar por tudo plenamente consciente. Então Verônica enxuga o seu rosto.

E Jesus ainda lhes diz: “Não choreis por mim; chorai antes por vós e por vossos filhos.”

O preço dos nossos pecados custou o sangue de Jesus

Jesus padece como homem; Ele se aniquilou e foi obediente até a morte, e morte de cruz. Quando chega ao Calvário, Ele diz: “Tudo está consumado.” E também: “Tenho sede” — não de água, mas de almas. Em momento algum quis perder a consciência do que estava fazendo por amor a mim e a você.

Às três horas da tarde, o coração de Jesus para de bater, justamente na hora em que, na tradição judaica, o sacerdote imolava o cordeiro. O golpe final é dado: a lança transpassa o lado de Jesus. E alguém que estava ali sentiu profundamente essa dor: o coração de Maria.

Maria Santíssima sofre toda aquela dor em sua alma. Quando Jesus é transpassado, jorram sangue e água. O sangue é a Eucaristia; a água, o Batismo. Cristo estava pronto para se tornar o nosso alimento. “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele. Ainda que esteja morto, ressuscitará no último dia. Eu sou a verdadeira comida e a verdadeira bebida.”

Não podemos nos dar ao luxo de não sermos oferta. Sacrifício é oferta, é tornar sagrado. Se somos consagrados, precisamos ofertar nossa vida. O sofrimento será uma constância em nossa caminhada, pois Deus não poupou o seu próprio Filho. Imagine a nós.

Paulo de Tarso Silveira Filho
Consagrada na Comunidade de Aliança com Promessas Definitivas

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