VOCACIONAL 2021

CHAMADO DE DEUS: A DECISÃO É TUA

Vocação vem do latim vocare que significa chamado. Se Deus faz um chamado, precisa haver alguém que deseje responder a esse chamado, e esse alguém somos nós, homens e mulheres que ouvem o apelo de Deus para suas vidas.

Os tempos estão difíceis, o mundo vai mal, o homem tem fome de Deus. A humanidade sofre como mulheres em dores de parto esperando a revelação dos filhos de Deus – e nós somos esses filhos de Deus – que precisam responder ao Seu apelo, ao Seu chamado, à Sua voz que chama e clama no fundo do nosso coração. O Senhor acena para nós e diz que a Sua vontade é o melhor lugar. Ora nós culpamos o tempo e colocamos muitos obstáculos para responder ao chamado de Deus, ora damos desculpas para não fazermos a Sua Santa Vontade.

Na parábola do grande banquete (Lc 14, 15-24), que fala muito aos Filhos de Sião, um homem oferece uma grande ceia e convida algumas pessoas – porém estas não podem ir – dão desculpas ao Senhor para não participarem e as desculpas dadas foram desculpas esfarrapadas, falsas. Então o Senhor pediu para que o seu servo saísse e chamasse os de última hora: os pobres, os aleijados, os cegos, os coxos, os que estavam nas encruzilhadas, os que estavam nas margens da sociedade para que viessem participar deste grande banquete, e todos foram e ainda restou lugar. Entendemos aqui que nós precisamos responder o chamado de Deus a toda hora, ou seja, estarmos prontos. Os que foram de última hora disseram sim e os que foram convidados não quiseram ir. Como diz a música: “São muitos os convidados, quase ninguém tem tempo”, culpamos o tempo e nessa pandemia a gente encontrou tempo, mas mesmo assim não nos voltamos para Deus, não nos decidimos por Deus, não dissemos SIM à Sua voz que a todo tempo nos chama.

Em oração, o Senhor me mostrava sua face desfigurada, dizendo para nós que Ele se encontra desconsolado neste tempo, que Ele precisa do nosso consolo, da nossa adoração, do nosso amor. Precisamos, então, responder ao chamado de Deus. Este é o apelo de Deus que deve gritar no nosso coração: Vem consolar-me, vem adorar-me, vem amar-me. O chamado que o Senhor nos faz é realmente para isso, é para que Ele nos ame e nós também o amemos.

Independente de como o homem esteja, Deus deseja chamá-lo. Deus o chama como Ele quer e quando Ele quer. O chamado é, pois, o encontro de duas liberdades, a liberdade de Deus que chama e a liberdade do homem que precisa responder a esse chamado de Deus. Isso mesmo: Deus nos torna livres! Ele nos faz livres para responder ao seu chamado, Ele não nos obriga a darmos uma resposta, Ele não nos obriga a nos decidirmos por Ele, mas Ele nos deixa livres. Como nós estamos, Deus nos chama – na situação que nos encontramos e como somos – o Senhor nos chama livremente. Temos livre arbítrio para escolhermos por Deus ou pelo mundo. O mundo nos quer enganar, ludibriar, mostrar belezas falsas, felicidades falsas, ilusões; mostrando-nos assim uma falsa liberdade.  A liberdade que o mundo prega não é a liberdade que Deus te deu, não é a liberdade que o Senhor te concedeu para responder a Ele. Já dizia Santo Agostinho: “O Homem se encontra irrequieto enquanto não encontrar Deus.” Por isso, enquanto nós não nos voltarmos para o Criador – para aquele que nos fez, que nos teceu, que nos amou por primeiro – a nossa alma vai ficar irrequieta e nós iremos ficar inquietados para responder a esse chamado. Às vezes a gente não sabe, de fato, o que a nossa alma quer, mas ela está ali agitada, inquieta, desejando, querendo mais e a gente tentando saciar de uma forma, tentando suprir de outra e não consegue. Entretanto, a nossa alma está lá gritando por Deus, gritando pela presença do Senhor, porém a decisão é minha. Precisamos tomar consciência disto: A DECISÃO É MINHA.

Por conseguinte, nós só vamos chegar à plena e feliz perfeição quando a nossa liberdade fizer opção por Deus, ou seja, quando livremente entendermos e respondermos o chamado de Deus com a nossa vida. Dessa forma, a gente vai vendo que Deus sempre toma iniciativa de nos chamar. Ele nos chama pela mediação dos fatos e acontecimentos, em momentos de dor ou de amor; ou através das pessoas: de alguém lhe apresentou Jesus, de alguém que – com sua vida – mostrou que Jesus existe, que Jesus é amor, que Jesus só faz o bem, que Jesus é a nossa felicidade. Portanto, pela vida de alguém nós podemos responder o chamado de Deus.

Quanto mais nós praticamos o bem, mais nós nos tornamos livres. Então, quanto mais nós caminharmos nos caminhos de Jesus mais livres nós seremos. Eu uso bem a minha liberdade quando eu respondo a Deus dizendo sim, dizendo fiat, dizendo EU QUERO e obedecendo à Sua voz. Eu uso minha liberdade para o mal quando eu desobedeço a Deus, quando eu caio na escravidão do meu pecado, embora eu possa me sentir livre, porque às vezes a gente se sente livre quando estamos pecando, aparentemente bem, só depois é que vem as consequências do pecado e a gente vai entender que nós só estamos sendo escravos dele. Enquanto pensamos que somos livres, na verdade só estamos usando nossa liberdade para o mal e isso não é liberdade, isso é libertinagem. E nós estamos no Vocacional justamente para isso, para encontrarmos a vontade de Deus, descobrirmos juntos, discernimos dentro do Carisma Filhos de Sião qual a vontade de Deus para a nossa vida, qual a vontade de Deus para nós.

Existe maior amor do que deixar o outro livre? Não. Quando nós somos escravos nós não nos sentimos amados, nos sentimos mal maltratados, mas Deus não nos deixa escravos, Ele nos deixa livre para que façamos opção por Ele.

Geraldo Luan Neves Leorne

Consagrado na Comunidade de Vida Filhos de Sião

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