A caminhada vocacional começa agora! E saiba que você não está só: o Senhor te proporciona irmãos, Filhos de Sião, para te ajudarem nesse caminho, e poder chegar até o fim.
Escreva quatro coisas importantes, fundamentais, que fazem parte da sua vida. Neste momento, risque uma dessas coisas e substitua por “Vocacional”. Faça isso, pois essa é a experiência que você terá neste ano. A partir de agora, o Vocacional faz parte da vida de cada um, pois não será mais algo fora de nós, mas sim parte integrante e essencial.
Conduzidos por Lucas 1, 26-38
Tal como você experimentou no início, o anjo Gabriel visitou a jovem Maria e também substituiu os planos que ela tinha pela proposta do Senhor. Hoje é um dia grande: é Domingo de Ramos, que marca a semana maior da Igreja, a Semana Santa. Nesta semana, fazemos memória da concretização da vontade do Pai na vida do Filho, e para toda a humanidade. Também para cada vocacionado, você está hoje entrando em Jerusalém para cumprir a vontade de Deus, tal como Jesus.
Reflitamos: o Senhor pediu permissão à humanidade para entrar no mundo. Antes, estávamos condenados pelo pecado de Adão e Eva, mas em Jesus — nascido de Maria — a história é redimida. Ora, Deus precisou de um “sim” para entrar e concretizar seus desígnios.
Existe alguém esperando o seu sim
Embora esperemos sempre um sinal para dar esse passo, é importante ressaltar que o “sinal” para assumir a vontade do Senhor nos compromete. É por essa razão que muitos se escondem e não se decidem. Mesmo assim, Deus não desiste de nós; Ele continua a chamar.
Ao chamá-lo, Deus deseja que se encerrem os sacrifícios vazios, os rituais vazios. Ele faz diferente do que acontecia na Antiga Aliança: já não serão mais imolados animais. Na verdade, o próprio Deus assumiu uma carne humana e, em si, redimiu, de uma vez por todas, toda a criação.
E por que salvou a humanidade expondo ao ridículo e à humilhação o seu próprio Filho? Porque a salvação, a redenção, é concreta: dá-se na entrega da vida. A entrada é triunfante, com os ramos, ao passo que o destino é a oferta na cruz.
Dessa forma, podemos ainda entender que o chamado é um caminho pessoal. O Pai lhe faz o convite, quase como quem pede licença, para realizar o seu plano salvífico em nossas vidas.
Faça-se!
Ao ser chamada, Maria encontrou o anjo, que se admirou dela. Quão grande graça ela estava prestes a receber! Mesmo perturbada, sua pergunta foi sábia, pois Maria queria compreender o chamado para melhor corresponder a ele. Não se tratava de falta de fé; pelo contrário, é pela confiança no que Deus faz e ainda há de fazer que damos o passo do “faça-se”. Na história da salvação, acredita-se que os mais belos “sins” foram os de José e de Maria: eles conseguiram concretizar os próprios planos de casamento e família, porém não do jeito deles, mas segundo a vontade de Deus.
Depois de sermos chamados, descobrimos o amor, experimentamos o amor de Deus, e o desejo de corresponder se baseia na oferta de si, no sentido de “devolver-se” ao Senhor. Todo chamado é em vista de uma missão: se você está aqui, é resultado do “sim” de alguém. Portanto, a meta não consiste em salvar a si mesmo, mas a humanidade.
Vocação é chamado: o encontro de duas liberdades — a d’Aquele que chama e a daquele que responde. Primeiro, somos chamados à vida; é o momento da revelação do amor de Deus por cada um. Depois, somos chamados à vocação humana. Em terceiro lugar, somos batizados e, portanto, ingressamos na vida cristã. Ainda, somos vocacionados à vida sacerdotal ou laical — como leigos, podemos nos casar ou optar pelo celibato. Por fim, somos chamados à vida consagrada, imitando Cristo mais de perto, à luz dos Conselhos Evangélicos: pobreza, castidade e obediência.
Para que o chamado seja consistente, faz-se necessário alimentar-se de oração. Para os Filhos de Sião, a oração é primazia, é a porta que abrimos para Deus entrar e habitar.
Francisco Adriano Silva
Cofundador e Formador Geral da Comunidade Filhos de Sião