VOCACIONAL FILHOS DE SIÃO

Vocação, encontro de liberdades

Vocação nada mais é do que “chamado”, vem do latim “vocare” que quer dizer chamado, é, pois, o chamado de Deus. Precisamos compreender que há alguém que chama – Deus, e outro que escuta e responde. Há alguém que acena para você, como gosta de dizer nossa Fundadora.

Todos somos obras de Deus, somos portanto obra, chamado d’Ele. Por vezes pensamos que as pessoas não nos percebem, não nos dão a devida atenção… No entanto, há alguém que nos olha sempre, do qual não passamos despercebidos, e esse alguém é Deus. Ele nos vê e nos ama.

A partir da iniciativa de Deus, porque Ele quis nos chamar, estamos aqui. E com uma resposta positiva a esse chamado, respondemos e correspondemos a Ele, ao Seu chamado. E Ele não nos chama a servir, mas a sermos Seus amigos – especialmente neste período vocacional: Ele quer formar uma amizade conosco. “Já não vos chamo servos, mas amigos” (cf. Jo 15, 15).

Ele nos chama para a intimidade, para nos conhecer, bem como para revelar a Si mesmo para nós. Ele deseja falar no íntimo dos nossos corações, e quer ouvir, dialogar conosco – embora Ele já saiba todas as coisas. Aí encontramos a necessidade da vida de oração, de intimidade e amizade.

Entendemos na Comunidade que a vocação se trata do encontro de duas liberdades: a de Deus, que chama, e a de quem escuta e responde. Porém, há aqueles que resistem em correspondê-Lo, como quem visualiza no WhatsApp, mas não responde.

Como diz Santa Teresinha, a oração é o impulso do coração. Por isso, diante de Jesus amigo, podemos derramar nosso coração. A cada diálogo podemos contar tudo aquilo que carregamos no interior, revelando a si mesmo e procurando conhecer melhor a Deus. A exemplo de São Francisco, questionarmos: Quem eu sou? E quem Tu és?

É na oração que sentimos o chamado de Deus, de modo direto. Em determinado momento, acontecimento, perceberemos que o Senhor nos olha. Seja a partir do testemunho, pelo estado de vida de alguém… O Senhor também pode nos chamar a partir de algo ou alguém. É preciso que estejamos atentos!

A vida de oração se estende também ao cotidiano, ao ordinário, a fim de percebermos os feitos de Deus. Ele não se reduz a falar conosco apenas entre as paredes uma igreja, ou capela.

É preciso conhecer e distinguir os diversos tipos de chamados, a saber:

1º chamado: À vida, chamado à existência.

Somos peregrinos neste mundo, pois esta vida findará. O Senhor não nos chamou, no entanto, à toa. Ele nos chama em vista de uma missão. Quantos estão por aí insatisfeitos com suas vidas, mas ao se depararem com a verdade de que o Senhor tem planos para cada um, passa por um processo de conformação. Deus quis você! Independente das condições em que viemos ao mundo, Ele nos quis! “Pode a mãe esquecer o filho que amamentou…” (cf. Is 49, 15).

O Senhor tem para nós a missão de salvar vidas: “Eu te farei pescador de homens” (cf. Mt 4, 19). Mais do que fazer o ordinário da vida, só nossa obrigação, o Senhor nos chama a salvar almas! Na Comunidade, a tornar o Amor amado com mais amor nas mãos.

2º chamado: À vocação cristã.

É a vocação de todos os batizados: somos chamados a sermos santos! Uma vez que nascemos, o Senhor nos chama a peregrinar como Ele, em santidade. A vontade de Deus é que sejamos d’Ele, que sejamos verdadeiramente santos. No Batismo recebemos a unção para que não vivamos de qualquer jeito, mas como “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5, 13-14).

3º chamado: À vocação específica.

Pode ser laical – leigos, casados, celibatários, ou ainda apóstolos (não é um consagrado, mas é um solteiro que serve ao Senhor), religiosa, ou sacerdotal – ministério ordenado pela Igreja: diácono, presbítero e/ou bispo.

Se estamos aqui é porque nos sentimos chamados a uma vocação específica, o Carisma Filhos de Sião, que é uma nova comunidade, braço das graças da Renovação Carismática Católica.

O consagrado pode ser leigo ou religioso. Enquanto o religioso faz promessas de modo radical por meio dos conselhos evangélicos, o leigo consagrado faz promessas temporárias e/ou definitivas dentro do carisma o qual foi chamado.

Vocação não é profissão! Na área profissional há aptidão, remuneração e é exercida para trazer sustento. Já a vocação é viver inteiramente mergulhado no chamado de Deus, sem remuneração ou horários, e é para sempre!

A oração é para nós primazia, sendo para os Filhos de Sião contemplativa: olhar atenta e embevecidamente, meditar com amor (Santa Teresinha). O segredo da oração é olhar para Deus, pois aí perceberemos que, muito antes de nós O olharmos, Ele sempre esteve a nos olhar.

  • Mateus 6, 5s (Quando orardes, não façais como os hipócritas…)

Como filho, preciso trilhar um caminho de oração, de obediência, de coerência com a vontade de Deus.

A vida de oração é uma escalada, primeiro chamamos Deus de Pai, depois de amigo, e por fim como Esposo: somos chamados a sermos almas esposas do amado Esposo Jesus.

  • João 15, 12s (A videira e os ramos)

Esse Evangelho fundamenta a vida fraterna na Comunidade: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo.” (cf. Jo 15, 12). Ele nos mostra como confirmamos que O amamos, se seguirmos seus mandamentos.

Apesar dos nossos pecados, erros e misérias, Ele nos quer e ama sempre. “Não fostes vós que me escolhestes…” (cf. Jo 15, 16). Se não rezarmos, não seremos capazes de compreender a vontade de Deus. No mundo, inclusive nós mesmos, há tantas vozes… Mas é preciso ter discernimento perante à voz de Deus.

 

Geraldo Luan Neves Leorne
Consagrado na Comunidade de Vida Filhos de Sião

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